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Com a confiança em baixa das empresas na Alemanha e também dos consumidores na Itália, a zona do euro volta ao centro das atenções nesta sexta-feira

Agência Estado

Com a confiança em baixa das empresas na Alemanha e também dos consumidores na Itália, a zona do euro volta ao centro das atenções nesta sexta-feira. Além disso, o rebaixamento pela agência Moody's das notas de 15 bancos globais, entre um e três níveis, mantendo perspectiva negativa para alguns deles, deve continuar tendo repercussões negativas, já que o anúncio foi feito após o fechamentos dos mercados nestas quinta-feira.

Em meio a expectativas sobre os desdobramentos das reuniões do Eurogrupo e dos líderes do bloco econômico europeu nesta sexta-feira, o euro oscila entre leves alta e queda no mercado internacional de moedas desde cedo. Já o dólar exibia alta diante de algumas moedas ligadas a commodities.

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No Brasil, o dólar tinha leve queda de 0,1120% às 10h, a R$ 2,0525. No mercado de câmbio futuro da BM&FBovespa abriu com o dólar para 1º de julho em queda, cotado a R$ 2,0585 (-0,39%). Às 9h15, esse vencimento atingiu uma máxima de R$ 2,0615 (-0,24%). A mínima, até esse horário, foi de R$ 2,0560 (-0,51%).

Em Nova York, às 9h16, o euro estava em US$ 1,2534, ante US$ 1,2540 no fim da tarde de ontem. Até esse horário, o euro oscilou de US$ 1,2566 a US$ 1,2519. O índice de dólar medido em comparação com uma cesta de seis moedas fortes estava em 82,390, de 82,364 ontem. E o dólar subia 0,18% diante do dólar australiano; ganhava 0,01% diante do dólar canadense; saltava 1,45% em relação à rúpia indiana; e recuava 0,09% diante do dólar neozelandês.

Os ministros das Finanças dos países da União Europeia fazem o segundo dia de reunião em Luxemburgo. Já o primeiro-ministro da Itália, Mario Monti, reúne-se em Roma com a chanceler alemã, Angela Merkel, o presidente da França, François Hollande, e o primeiro-ministro da Espanha, Mariano Rajoy. Eles darão entrevista às 15h, mas antes disso os mercados estão atentos às notícias que eventualmente serão antecipadas.

Um dos problemas da região sem consenso, por enquanto, refere-se à proposta do primeiro-ministro da Itália, Mario Monti, de autorizar o Banco Central Europeu (BCE) a comprar títulos de governos no mercado secundário, em nome da Linha de Estabilidade Financeira Europeia (EFSF, na sigla em inglês) e do Mecanismo de Estabilidade Europeu (ESM, na sigla em inglês), que atuam em operações de resgate da União Europeia. A ideia é que esses fundos ofereceriam ao BCE proteção parcial contra perdas. A Alemanha se opõe, porque considera que seria um "financiamento monetário estatal" e violaria os tratados da União Europeia.

Também o pedido de ajuda formal aos bancos que o governo espanhol poderá apresentar até segunda-feira estará em debate. O presidente do Eurogrupo, Jean-Claude Juncker, disse ontem que o resgate financeiro à Espanha, que será destinado à recapitalização dos bancos do país, primeiro poderá sair da Linha de Estabilidade Financeira Europeia (EFSF, nas iniciais em inglês), que é provisória, e depois será transferido para o Mecanismo Europeu de Estabilidade (ESM) assim que este entrar em vigor. Auditoria realizada nos bancos espanhóis apontou um rombo de até € 62 bilhões, abaixo dos € 100 bilhões oferecidos ao país.

A situação da Grécia também deve ser abordada, porque o país vai receber até o fim deste mês uma fatia de € 1 bilhão, que estava retida por causa das incertezas políticas no país e fazia parte da primeira parcela do segundo pacote de resgate ao país. O Eurogrupo espera que o novo governo grego convide em breve representantes de seus credores externos para "informá-los sobre a implementação" do segundo pacote de resgate a Atenas.

Em relação aos indicadores da região, o índice de confiança das empresas na Alemanha, medido pelo instituto IFO, atingiu o menor nível em dois anos em junho, sugerindo que a produção econômica do país poderá se estagnar ou até se contrair no segundo trimestre deste ano em meio à crise na zona do euro. Já a confiança do consumidor da Itália em junho atingiu uma mínima histórica, de 85,3, ante 86,5 em maio, o nível mais baixo desde janeiro de 1996, quando o dado começou a ser acompanhado.

No Brasil, os agentes financeiros devem monitorar a divulgação pelo banco Central dos dados da nota do setor externo de maio. Serão apresentados os números sobre o saldo em conta corrente e os investimentos estrangeiros diretos (IED). Além disso, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) publica a sondagem industrial, também referente ao mês passado.

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