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Encontro de líderes europeus traz cautela aos investidores, depois de a Moody´s ter cortado os ratings dos maiores bancos do mundo

Agência Estado

Depois de abrir o dia em leve alta, a Bovespa não resisitiu e passou a cair, com o mercado abalado pelo rebaixamento promovido pela Moody's nos ratings dos maiores bancos do mundo. Por volta das 12h16, o Ibovespa caía 0,41%, aos 55.276 pontos.

Após a queda de quase 3% do pregão de quinta-feira, que deixou a Bovespa no vermelho na semana, seria preciso uma recuperação de pelo menos 1% nesta sexta-feira para que o mercado local desse sequência aos ganhos semanais pela terceira vez seguida.

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Moody's rebaixa 15 grandes bancos

Porém, o rebaixamento da Moody´s e o encontro de líderes europeus, em um dia de agenda esvaziada de indicadores nos EUA, contribuem para um comportamento defensivo dos investidores.

Além disso, os mercados financeiros estão encerrando mais uma semana sem que as autoridades europeias tenham tomado alguma medida mais concreta para sanar a grave crise das dívidas soberanas, que começa a espalhar seus tentáculos por todo o mundo. "O mundo está literalmente congelado para atitudes", comenta o sócio da Órama Investimentos, Álvaro Bandeira.

Os ministros de Finanças da União Europeia (UE) voltam a se reunir em Luxemburgo nesta sexta-feira, antecedendo o encontro de cúpula dos líderes dos 27 países do bloco, que acontece na semana que vem. 

Em Roma, o chefes de Estado da Itália (Mario Monti), Alemanha (Angela Merkel), França (François Hollande) e Espanha (Mariano Rajoy) se reuniram e afirmaram que a Europa deve adotar uma série de medidas de crescimento, equivalente a cerca de 1% do Produto Interno Bruto (PIB) da região.

"Nós queremos que haja um significativo pacote de crescimento europeu, que seja de cerca de 1% do PIB, ou 130 bilhões de euros", disse o primeiro ministro italiano, Mario Monti. O montante é equivalente a R$ 336 bilhões, no câmbio desta sexta-feira.

E enquanto as medidas efetivas tardam, as agências de classificação de risco vão fazendo seus estragos. O corte das notas de 15 dos maiores bancos do mundo pela Moody's incluiu instituições europeias e norte-americanas, que teriam forte exposição à volatilidade e riscos de perdas no mercado de capitais.

O rebaixamento foi dividido em três grupos. No grupo mais brando, ficaram instituições como HSBC, Royal Bank of Canada e JP Morgan. No intermediário, figuraram Barclays, BNP, Credit Suisse e Deutsche Bank. No terceiro, constam Bank of America Merrill Lynch, Citigroup, Morgan Stanley e RBS.

Bolsas europeias

Apenas a bolsa da Espanha sobe nesta sexta-feira, puxada por ações de bancos, impulsionadas por resultados de duas auditorias realizadas nas instituições, segundo analistas do Banco Fator.

As consultorias Oliver Wyman e Roland Berger afirmaram que os bancos espanhóis precisariam de uma recapitalização de € 51 bilhões a € 62 bilhões, valor inferior aos € 100 bilhões do acordo feito há quase duas semanas entre a União Europeia e o governo espanhol, comentam os analistas em relatório.

Bovespa

O noticiário corporativo doméstico, por sua vez, está repleto de eventos importantes. A começar pela transferência de controle no Grupo Pão de Açúcar (GPA). A partir desta sexta-feira, o francês Casino, sócio de Abilio Diniz na Wilkes, será controlador do GPA, em um processo que teve episódios controversos, como a tentativa do empresário brasileiro de se fundir ao concorrente do francês, Carrefour. 

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Apesar de continuar como presidente do conselho do Grupo, a grande dúvida passa a ser o destino de Abilio depois que o Casino assumir o controle da rede. Embora com menos poder do que antes, pessoas ligadas a ele dizem que o empresário vai exercer o papel de "acionista minoritário exigente, que acompanha tudo no detalhe".

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Também nesta sexta-feira, a TAM tenta realizar novamente sua oferta pública de permuta de ações (OPA) pelos BDRs da chilena LAN. O processo faz parte da fusão entre as duas empresas para a criação da Latam, e que não obteve o mínimo necessário de adesão na semana passada, que seria de 95%, para fechar o capital da companhia aérea brasileira.

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Ainda na Bolsa, o investidor também fica de olho na estreia das ações da Vigor, após a OPA para permuta de papéis da JBS por ações ON da emissão da empresa de lácteos, realizada ontem. A operação inflou o volume financeiro negociado na sessão passada, em R$ 1,879 bilhão.

"A questão é saber se a Bolsa vai conseguir encontrar um ponto de apoio ou cair ainda mais antes do fim de semana", comenta um operador da mesa de renda variável, lembrando que ontem o índice à vista voltou à casa dos 55 mil pontos, "com uma tacada só". Até por isso, ele acredita que parte dos "exageros" de ontem sejam ajustados hoje.

Bandeira avalia que agora a Bolsa terá de formar um novo fundo e superar a faixa de 57 mil pontos para ganhar espaço rumo a novas altas. "Isso só acontecerá se acompanhado de volume financeiro crescente e medidas para a zona do euro", comenta, em relatório publicado nesta manhã.

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