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Presidente-executivo do Itau Unibanco reage à pressão do governo pela redução mais agressiva dos juros cobrados pelos bancos privados

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Setubal fala em "pressão de todos os lados"

A despeito das pressões para forçar uma queda das taxas de juros, a queda mais consistente dos spreads bancários será precedida pelo tripé formado por redução de impostos sobre financiamentos, dos depósitos compulsórios e aumento da eficiência dos bancos, disse nesta quarta-feira o presidente-executivo do Itaú Unibanco, Roberto Setubal.

"Há pressão de todos os lados", afirmou o executivo, durante palestra em evento da Febraban, sindicato dos bancos. "Mas no final, a racionalidade deve prevalecer".

As declarações acontecem em meio à forte pressão do governo pela redução dos juros do bancos, movimento iniciado em abril com os estatais Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal tendo promovido cortes agressivos em várias taxas. Os bancos privados também reduziram juros, mas em menor ritmo.

Isso, num momento em que a economia perde força e o governo vem tomando medidas monetárias e fiscais para tentar impedir que o crescimento do PIB este ano fique muito abaixo da meta inicial de 4,5%. Nesta quinta-feira, o Credit Suisse revisou a estimativa de expansão do PIB brasileiro em 2012, de 2 para 1,5%.

De acordo com Setubal, após o forte crescimento das receitas nos últimos anos, pontuado pela relação crédito/PIB, que dobrou para 50% em uma década, os bancos no país terão que rever seus modelos de negócios, enfatizando ganho de eficiência.

Isso para compensar o cenário atual, com a taxa básica de juros em 8,5% ao ano, a menor da história e que não deve mais voltar a superar dois dígitos, disse ele.

O banqueiro rebateu as avaliações de que os bancos brasileiros têm margens de lucro muito altas. Segundo ele, embora o lucro nominal seja alto, a rentabilidade média nào é muito superior à média internacional.

"O problema não está em grandes margens, mas em rentabilidade", disse.

Europa

Para Setubal, outro elemento que exigirá maior foco dos bancos brasileiros em eficiência são os efeitos globais da crise europeia, sobre a qual disse ser bem pior do que se imaginava.

O executivo do Itaú, também vice-presidente do IIF (Institute of International Finance), espécie de sindicato internacional de grandes bancos, mostrou-se bastante pessimista com a situação na zona do euro, prevendo que uma normalização das condições na região vai levar de 5 a 10 anos.

"O processo de recapitalização dos bancos na região ainda não acabou", disse, mencionando também as exigências maiores de capital previstas nas regras de Basileia 3. "O euro vai sobreviver, mas com muita dificuldade".

(Por Aluisio Alves)

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