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Fundador da Frontier Market, gestora de recursos que investe em países como Bangladesh, Gana, Paquistão e Vietnã, diz que "vivemos em um mundo cada vez mais igual"

O grupo dos países emergentes, que reúne Brasil, Índia, Russia, México, China, África do Sul e diversas outras nações, está deixando de existir, na opinião de Lawrence Speidell, diretor do CFA e presidente da Frontier Market Asset Management. Ele acredita que nos próximos anos o mundo ficará mais homogêneo e a classificação deixará de fazer sentido.

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“O termo ‘mercados emergentes’ é obsoleto. Hoje temos iPod, iPad, iTunes em todos os lugares, inclusive nos países emergentes e de fronteira, e não dividimos mais o mundo da mesma forma que antes,” afirmou o economista, que participou de um evento para analistas de investimentos realizado pelo CFA Institute, em São Paulo. Os mercados de fronteira, citados por ele, são os países menos desenvolvidos do que os emergentes, como Bangladesh, Costa do Marfim, Gana, Paquistão, Vietnã, Ucrânia, Zâmbia, entre outros.

“Como existe um costume de dividir tudo em caixinhas, é possível que continuem a colocar ricos e pobres em caixas diferentes, ou que separem os países que mais contribuem para o aquecimento global e que menos contribuem, ou qualquer outra divisão, mas já vivemos em um mundo mais igual,” disse Speidell, que é formado na universidade norte-americana de Yale e tem MBA em Harvard.

Com base em projeções de crescimento econômico, cruzadas com urbanização, educação, investimentos e peso do governo, ele afirma que os países emergentes já estão passando a se misturar com os desenvolvidos em diversos aspectos. “A educação, por exemplo, já está melhorando nestes locais, e os fluxos de capitais também estão indo mais para os emergentes,” afirmou.

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Speidell admite, entretanto, que em momentos de crise, como o atual, grandes investidores tendem a correr para mercados considerados desenvolvidos, mas acredita que em um prazo mais longo os emergentes continuam sendo mais interessantes. “Agora todo mundo corre para dólares. Quem quiser ficar confortável em um ou dois anos, deve mesmo ir para dólares. Mas quem quer ficar em uma posição mais confortável em dez anos provavelmente deve optar pelos mercados emergentes e de fronteira,” afirmou.

“É preciso que as pessoas pensem com mais criatividade,” disse ele, “inclusive quando se fala em destino de investimentos." Speidell afirmou ainda que o Brasil, que vem atraindo olhares de investidores globais nos últimos anos, deve seguir atraente, mesmo com um crescimento melhor. “Em geral, o Brasil tem potencial e está ranqueado acima da média em diversos indicadores. Acredito que as coisas ruins vão mudar, principalmente se o governo gastar mais em educação,” afirmou.

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