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Em comunicado, a companhia não detalhou quais foram as razões que levaram a bolsa a pedir novas informações

A BM&FBovespa solicitou à Mundial a “prestação de informações, documentos e esclarecimentos adicionais” em resposta ao pedido de autorização feito pela fabricante de artigos de cutelaria para o ingresso no Novo Mercado. Em comunicado divulgado hoje, a companhia não detalhou quais foram as razões que levaram a bolsa a pedir novas informações, mas informou que pretende atender às solicitações até o dia 10 de julho.

A Mundial anunciou que pretende migrar suas ações para o segmento de listagem com padrões mais rígidos de governança no fim do ano passado. A decisão veio poucos meses após a Polícia Federal (PF) ter iniciado a “Operação Insider”, em agosto de 2011, para investigar suspeita de manipulação de ações da companhia.

Entre maio e julho de 2011, os papéis da Mundial se valorizaram 2.800%, no caso das ordinárias (ON), e 1.652%, das preferenciais (PN), quando despencaram e provocaram perdas milionárias a investidores.

No começo deste mês, a PF indiciou Michael Ceitlin, presidente da companhia, por manipulação de mercado, uso de informações privilegiadas e formação de quadrilha.

Em entrevista ao Valor neste mês, o executivo se disse “espantado” com o indiciamento e reafirmou que a empresa foi “a que mais sofreu” com o caso. Segundo a PF, o esquema teria envolvido, além de Ceitlin, os agentes de investimentos Rafael Ferri e Pedro Calvete e a jornalista Ana Borges.

Recentemente, Carlos Alberto Rebello, diretor de regulação da BM&FBovespa, afirmou que, para além da adesão ao regulamento do Novo Mercado, desde o fim de 2011, a bolsa aplica um análise interna com o objetivo de ponderar se uma empresa está apta ou não para ingressar nesse nível de governança.

Entre os critérios, afirmou, a bolsa avalia se a empresa tem capital livre para circulação de pelo menos R$ 150 milhões e se a cotação do papel está num patamar entre R$ 10 e R$ 50. No caso da Mundial, o valor de mercado atual é de R$ 64,5 milhões, e as ações encerraram o pregão de ontem cotadas a R$ 0,22.

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