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Participantes do mercado temem que a crise na zona do euro reduza significativamente a demanda por petróleo

Os contratos futuros de petróleo operam pressionados pelas preocupações com a zona do euro e com o excesso de oferta da commodity. Embora o yield (retorno ao investidor) dos bônus espanhóis tenha diminuído nesta terça-feira, ele continua acima dos níveis que indicam a necessidade de uma ajuda internacional. Além disso, o índice de expectativas econômicas da Alemanha teve em junho a maior queda em mais de uma década , segundo o instituto Zew.

"A aversão ao risco tem aumentado em meio aos problemas na Espanha", comentaram analistas do Commerzbank em nota a clientes. Participantes do mercado temem que a crise na zona do euro reduza significativamente a demanda por petróleo. O Commerzbank acrescentou que "o excesso de oferta também pesa sobre os preços", com a Arábia Saudita "obviamente produzindo mais petróleo bruto do que o necessário".

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No entanto, analistas do SEB Commodity Research acreditam que o potencial de queda dos preços deverá ser limitada no restante do ano. "A demanda sazonal vai aumentar e o embargo ao petróleo do Irã começará a ter efeito em 1º de julho", destacaram. Como resultado, uma redução no excesso de capacidade de produção dos membros da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) é provável, já que "o cartel quer evitar uma repetição de 2009, quando os preços do petróleo despencaram para uma média de US$ 62,7 por barril".

Enquanto isso, os participantes do mercado seguem acompanhando as negociações em Moscou sobre o programa nuclear do Irã, mas pouco progresso é esperado e uma nova rodada de conversas deve ser anunciada, segundo Andrey Kryuchenkov, analista do VTB Capital. As tensões em torno do programa diminuíram nas últimas semanas, colaborando para o recuo dos preços do petróleo.

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Os participantes do mercado também estão à espera da decisão sobre política monetária do Federal Reserve, nesta quarta-feira, com expectativas de que o banco central dos EUA implemente mais medidas de estímulo à economia. Os EUA são o maior consumidor de petróleo do mundo. "No entanto, nós esperamos que muitos fiquem decepcionados e, no máximo, o Fed deixe as portas abertas para um relaxamento da política por enquanto", disse Kryuchenkov.

Às 9h (de Brasília), o WTI para julho subia 0,28% na Nymex, para US$ 83,50 por barril, e o brent para agosto caía 0,15% na ICE, para US$ 95,91 por barril. As informações são da Dow Jones.

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