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Fundo de ações proprietário da marca do famoso bloco de anotações já contratou bancos de investimento para coordenar a operação que deve ocorrer no quarto trimestre

Dona do Moleskine espera passar distante da crise e lançar oferta inicial de ações no final do ano
Divulgação
Dona do Moleskine espera passar distante da crise e lançar oferta inicial de ações no final do ano

A fabricante italiana do bloco de anotações Moleskine, que tinha como admiradores o pintor Vincent Van Gogh e o escritor Ernest Hemingway, planeja lançar ações na bolsa de Milão neste ano e já contratou bancos de investimento para a operação.

Goldman Sachs, Mediobanca e UBS vão cuidar da operação para a sócia majoritária Syntegra Capital, e têm como objetivo buscar nomes de peso que atraiam investidores, desafiando as condições atuais difíceis no mercado financeiro.

O fundo de private equity Sintegra, que é detentor de 68% da Moleskine, pretende entrar com documentação em setembro e prevê oferta inicial no começo do 4º trimestre, disse Marco Ariello, sócio da Syntegra.

"Um IPO é a coisa certa para o futuro da companhia", disse o executivo à Reuters

As marcas de luxo têm se saído bem apesar de uma série de flutuações no mercado financeiro internacional. 

Em abril, a marca de cashmere italiana Brunello Cucinelli e a Tumi Holdings, fabricante de luxuosas, viram suas ações dispararem após estreia em Milão e Nova York, respectivamente, enquanto a marca Michael Kors Holdings vê seus papéis um terço acima daquele de sua oferta em 15 de dezembro.

Marca premium

"Precisamos que as condições do mercado financeiro melhorem, mas a Moleskine é uma marca prêmio em termos de preço e de posicionamento. As avaliações e o apetite do mercado para marcas premium é mais forte do que para as marcas médias, mesmo em tempos difíceis", disse Ariello.

Mas para conseguir a precificação certa ainda precisa haver um equilíbrio. A joalheria de luxo de Londres Graff Diamonds foi forçada a retirar sua oferta de US$ 1 bilhão em Hong Kong no mês passado, após analistas e gestores de fundos questionarem sua avaliação.

A Moleskine, empresa criada em 1997 para reviver o estiloso caderno de anotações adorado por artistas e escritores dos séculos 19 e 20, tem registrado um crescimento de cerca de 25% ao ano desde quando a Syntegra comprou uma fatia 75% por cerca de 60 milhões de euros (US$ 75,8 milhões) em 2006.

A empresa leva o nome de um apelido dado aos cadernos do escritor Bruce Chatwin, um outro cliente dos originais feitos por encadernadores de Paris. Eles são feitos tecido revestido por capa dura.

No início de 2011, quando o fundo de venture capital (capital de risco) Index Ventures comprou uma participação de 15%, a empresa anunciou que seu volume de negócios cresceu de 80 milhões de euros em 2006 para mais de 200 milhões de euros em 2010.

A oferta provavelmente deve ser composta pelas ações existentes, disse Ariello. Ele se recusou a comentar sobre potenciais valorizações para a empresa, ou como uma grande fatia seria vendida, mas disse que a Syntegra tem a intenção de manter parte de sua participação após a oferta inicial para se beneficiar de ganhos esperados para o futuro.

O restante das ações da empresa são de propriedade do fundador Francesco Franceschi e gestores da empresa.

Moleskine, cujos produtos também incluem jornais, diários e guias turísticos, cresceu de 15 funcionários em 2006 para mais de 100 e tem escritórios em Milão, Nova York e Hong Kong.

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