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Fundo de pensão da Petrobras pretende resgatar recursos que estavam aplicados em produtos financeiros que eram comercializados pelo banco, que sofreu intervenção

No dia 2 de julho, a assembleia de cotistas do Fundo de Investimento em Direitos Creditórios (Fidc) da Verax Multicred Financeiro se reúne na sede do braço de investimentos do Cruzeiro do Sul, em São Paulo, para decidir se será liquidado ou repassado a uma nova administradora. A reunião será acompanhada pela diretoria da Petros, fundo de pensão da Petrobras, no Rio de Janeiro. O fundo previdenciário da petrolífera irá anunciar na ocasião que pretende retirar R$ 57 milhões que restam de um investimento realizado no Fidc da Verax em 2010, conforme apurou o iG Economia.

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A Petros já resgatou R$ 15 milhões do fundo em duas parcelas de amortização do Fidc Verax Multicred em novembro de 2011 e maio de 2012. O novo saque depende de aval do Fundo Garantidor de Crédito (FGC), interventor no Cruzeiro do Sul após constatação de fraudes pelo Banco Central.

O montante sacado correspondeu a 25% do total de R$ 72 milhões aplicados há dois anos na carteira da Verax – que já foi alvo se investigação da Comissão de Valores Imobiliários (CVM), após erro ao informar dados financeiros no balanço de 2009 do Cruzeiro do Sul auditado pela consultoria KPMG. Na ocasião, a CVM reportou ter identificado manobras contábeis nas quais fundos de investimentos eram usados para elevar os resultados do banco.

De acordo com o prospecto do Fidc Verax Multicred, a decisão de liquidação ou repasse do controle para outra instituição financeira exige a aprovação de no mínimo 75% dos cotistas em assembleia-geral. Procurada pela reportagem do iG Economia, a Verax não quis informar os valores totais em carteira pelo Multicred, fundo fechado e sem relatórios disponibilizados ao mercado. Assim como não informou a participação detida pelos atuais cotistas. Segundo prospecto registrado na Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiros e de Capitais (Anbima), o Fidc Verax Multicred realizou quatro emissões de cotas somando até R$ 300 milhões – o que pode ter lhe rendido a captação de R$ 1,2 bilhão.

A Petros já retirou outros R$ 44,69 milhões aplicados nos fundos Fidc Verax CPP180 (R$ 7,1 milhões) e Verax CPP360 (R$ 37,5 milhões), administrados pela subsidiária do Cruzeiro do Sul. O montante foi resgatado em março de 2011.

O fundo da Petrobras retirou ao todo R$ 59,69 milhões do braço de investimentos do Cruzeiro do Sul, cujas operações vêm sendo monitoradas pela CVM desde a falha na auditoria contábil da KPMG.

Rombo de R$ 1,3 bi

Irregularidades contábeis identificadas na troca de ativos entre os fundos administrados pelo Cruzeiro do Sul e os acionistas controladores do banco carioca – a família Índio da Costa – motivou a intervenção indireta coordenada pelo Banco Central (BC) na instituição no início deste mês.

O FGC, entidade privada que atua como uma espécie de seguradora do sistema financeiro composta por recursos repassados pelos bancos, assumiu por 180 dias a administração do Cruzeiro do Sul sob o Regime de Administração Especial Temporária (Raet), afastando os Índio da Costa do controle da instituição.

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O FGC avalia agora as contas do banco carioca para medir o tamanho do rombo financeiro identificado pelo BC também em operações fictícias de créditos consignados para decretar a venda do Cruzeiro do Sul, conforme orientação do órgão federal de fiscalização do sistema financeiro nacional.

As avaliações preliminares do pente-fino indicam fraudes que podem se equivaler ao patrimônio líquido do Cruzeiro do Sul, estimado em cerca de R$ 1,3 bilhão.

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