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Operação envolvendo resgate de papeis da carteira do FGTS somaram R$ 44 bilhões, como parte da estratégia para diminuir peso da dívida pública de curto prazo

O Tesouro Nacional deu mais um passo na cruzada ensaiada desde o início deste ano para reduzir o peso dos títulos da dívida pública atrelados à taxa básica de juros (Selic), cujo vencimento é mais curto e o retorno da aplicação maio que a de papeis corridos pela inflação, como parte do plano para desindexar a economia brasileira a pedido da presidenta Dilma Rousseff.

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O passo foi a operação de resgate de R$ 44,1 bilhões em papeis na carteira do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), do quais R$ 38,1 bilhões eram títulos atrelados à Selic, as Letras Financeiras do Tesouro (LFT). Outros R$ 6 bilhões foram em Letras do Tesouro Nacional. “Essa operação levou em consideração as necessidades de desembolso do FGTS de curto prazo e também o aumento de rentabilidade da carteira remanescente, associada às necessidades de médio e longo prazo do Fundo”, diz o Tesouro em nota.

Com o resgate das LFT, cuja flutuação de retorno de bônus e juros é mais sensível aos movimentos da política monetária conduzida pelo Banco Central, o Tesouro reduziu em 7,98% o peso dos papeis corridos pela Selic no conjunto da dívida pública federal.

O Tesouro já havia feito a resgate de R$ 61,2 bilhões em títulos atrelados à taxa básica de juros em fevereiro. Os dois movimentos fizeram com que o governo reduzisse em 66% a sua participação como detentor da dívida pública no primeiro semestre.

No período janeiro-junho, a participação dos títulos sob a Selic caiu de 66,02% na carteira sob controle do governo para 0,30%. Em contrapartida, os papéis prefixados (retorno pré-definido no ato de compra) passaram de 15,96% para 45,01%. Enquanto os títulos corrigidos pelo índice de preços que mede a inflação (IPCA) passaram de 18,01% para 54,69%.

As mudanças são parte da investida do Tesouro para diminuir a pressão da dívida de curto prazo representado pelas LFTs, puxando uma mudança ensaiada pelo governo Dilma Rousseff para alterar os indexadores econômicos. “Essa troca contribuiu para a desindexação da economia brasileira e o fomento à formação de poupança de longo prazo”, diz o Tesouro.

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