Tamanho do texto

Na semana, principal índice de ações brasileiro avançou 1,9%; papéis da Gafisa avançaram 16% nesta sexta-feira e lideraram ganhos do Ibovespa

Ibovespa interrompe sequência de seis baixas semanas seguidas
Getty Images
Ibovespa interrompe sequência de seis baixas semanas seguidas

O quadro negativo que se via pela manhã ganhou cores um pouco mais amenas nesta tarde, refletindo a esperança de que haja algum progresso na crise da dívida da Europa durante o fim de semana. Mas, justamente por se basear em expectativas, e não em fatos, a recuperação não tem muita consistência.

Neste ambiente, o Ibovespa conseguiu fechar em alta de 0,51%, aos 53.402 pontos. Na semana, o índice acumula alta de 1,9% e interrompe uma sequência de seis baixas semanais consecutivas. O volume de negócios foi bom para uma sexta-feira no meio do feriado e somou R$ 5,4 bilhões.

"O mercado está esperando o fim de semana para ver o que vai acontecer, existe grande expectativa de que a União Europeia anuncie um pacote de capitalização para os bancos espanhóis", disse o economista Pedro Paulo Silveira, da Tov Corretora.

"O que me deixa espantado é que líderes no mundo todo falam que vão fazer algo para a economia, mas até agora não se fez nada. É hora de agir, a falta de ação é perigosa para a economia mundial. Os mercados embarcaram em um otimismo esperando alguma medida, mas se nada acontecer, vão sofrer ainda mais."

Fontes da União Europeia e da Alemanha disseram à Reuters que a Espanha deve pedir no fim de semana ajuda europeia para recapitalizar os bancos do país. Vice-ministros das Finanças do bloco farão uma conferência no sábado de manhã para discutir o pedido espanhol de pacote de ajuda, embora nenhum número para assistência tenha sido ainda determinado.

"Tudo é possível", disse o vice-presidente do Banco Central Europeu (BCE), Vitor Constancio, questionado sobre a notícia durante entrevista a uma rádio portuguesa.

O que também alimentou a esperança hoje foi a declaração do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, de que há medidas específicas que a zona do euro pode tomar para enfrentar a crise, como a injeção de capital nos bancos. Essa afirmação, que soa como uma pressão sobre os líderes da região, amenizou a aversão ao risco, provocada pelo rebaixamento da Espanha pela Fitch e pelo corte inesperado de juros pela China ontem.

As bolsas americanas conseguiram inverter o sinal e também fecharam no azul. O Dow Jones subiu 0,75%, o S&P teve alta de 0,81% e o Nasdaq avançou 0,97%.

Veja mais: Índices europeus caem com EUA e temores sobre China

O dólar fechou em queda de 0,14%, a R$ 2,02, movimento favorecido também pelo leilão de swap cambial, realizado pela manhã pelo Banco Central. Já os juros futuros recuaram com força, reagindo ao clima internacional e também à divulgação da ata do Copom.

O documento não trouxe grandes novidades, mas corroborou a aposta de que a Selic pode cair mais 0,5 ponto em julho e, quem sabe, outro 0,5 ponto em agosto.

Leia mais:  Flexibilização monetária deve ser conduzida com parcimônia, diz BC em ata

Quatro instituições reduzem previsão de Selic em 2012

Bovespa

Depois de operar no vermelho desde a abertura dos negócios desta sexta-feira, a bolsa virou no inicio da tarde, acompanhando a reação das bolsas americanas.

Entre as ações mais negociadas, Vale PNA ganhou 0,86%. A mineradora reage à decisão da China de cortar o juro básico em 0,25 ponto após quase quatro anos de estabilidade de taxa. Petrobras PN recuou 1,10%, em linha com a baixa do petróleo no mercado internacional.

Entre as maiores altas, Gafisa ON subiu 16,43%, a R$ 2,48, Usiminas ON ganhou 5,48%, para R$ 8,48. Os papéis da Gafisa reagem ao anúncio feito na noite de quarta-feira sobre a aquisição da fatia restante de 20% do capital da Alphaville Urbanismo.

Leia mais:  Ação da Gafisa dispara mais de 15% com diluição menor em compra de Alphaville

A empresa informou que emitirá 70, 251 milhões de ações para pagar a transação de R$ 359 milhões, o que traz um preço implícito de R$ 5,11 por ação. O ponto positivo do negócio, segundo analistas, está na menor diluição dos atuais acionistas.

No caso da Usiminas, o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) autorizou na quarta-feira a CSN a realizar operações em bolsa com papéis da Usiminas, seja de compra ou venda.

Em abril, o Cade adotou medida cautelar restringindo a atuação da CSN na siderúrgica mineira, inclusive proibindo a indicação de membros para o conselho de administração. Usiminas ON era a maior baixa do Ibovespa no ano até quarta-feira, com perda de 53%.

Câmbio e juros

Depois de abrir em alta, o dólar chegou a mudar de direção após a intervenção do Banco Central, que voltou a ofertar contratos de swap cambial (operação que equivale a uma venda de moeda americana com vencimento futuro). Volátil, a moeda chegou a superar os R$ 2,03. Mas, seguindo o movimento externo, voltou ao terreno negativo.

Operadores dizem que os agentes ficaram decepcionados com a fala do presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central americano), Ben Bernanke, ontem diante do Congresso. Havia a expectativa de que o presidente do Fed desse sinais claros de medidas para conter o contágio da economia americana pela crise europeia.

Mas embora tenha admitido que esteja pronto e alerta para agir, Bernanke afirmou que espera uma menor eficácia dos instrumentos que dispõe hoje para atenuar o impacto da estagnação econômica da Zona do Euro sobre a atividade dos Estados Unidos se comparar com os efeitos obtidos entre 2008 e 2010.

Já o mercado de juros reforçou hoje a ideia de que a taxa Selic pode cair mais 0,5 ponto percentual na reunião de julho e pelo menos mais 0,25 ponto em agosto. E também diminuiu a probabilidade de haver uma reversão desse ciclo de alívio monetário em 2013.

Essa correção se deve à leitura da ata do Copom que, embora não tenha surpreendido, corroborou a ideia de que há ainda espaço para ajustes na taxa. E de que, com a inflação alinhada ao centro da meta de inflação, os riscos para a evolução da política monetária no próximo ano ficam reduzidos.

(Com Valor Online e Reuters)

    Leia tudo sobre: bovespa
    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.