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Notícia de que a construtora emitirá menos ações que o esperado para concluir a aquisição da Alphaville Urbanismo agradou os investidores

Papéis da construtora Gafisa tinham ganho de 15,49% perto das 16h
AE
Papéis da construtora Gafisa tinham ganho de 15,49% perto das 16h

A notícia de que a Gafisa emitirá menos ações que o esperado para concluir a aquisição da Alphaville Urbanismo agradou os investidores. Às 15h54, os papéis da incorporadora subiam 15,49%, para R$ 2,46, na maior alta do Ibovespa, que operava próximo da estabilidade no mesmo horário, com leve alta de 0,16%.

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Ontem, os recibos de ações da empresa negociados em Nova York, os ADRs, já haviam subido 9%. Na noite de quarta-feira, a Gafisa anunciou que emitirá 70,3 milhões de ações em favor da Alphapar para quitar o pagamento de R$ 359 milhões pela fatia restante de 20% da Alphaville Urbanismo, seu braço voltado à alta renda.

A operação embute um valor de R$ 5,11 por papel da Gafisa, 140% maior do que o preço de fechamento do último pregão, de R$ 2,13. Na prática, isso significa que a Alphapar "pagaria" mais pelas ações da Gafisa do que os papéis valem em bolsa.

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Se a emissão de ações fosse feita aos valores atuais, seria necessário emitir 168 milhões de ações pela última parcela da aquisição, o que implicaria uma diluição maior dos atuais acionistas. "Dado que a avaliação da Alphaville implica um valor total para a empresa quase duas vezes superior ao atual valor de mercado da Gafisa, consideramos que o fato, de que as ações foram emitidas a um prêmio (de 140%) em relação ao preço atual, fez o negócio favorável aos acionistas da Gafisa, apesar de uma diluição de 14%", afirmaram analistas do Itaú BBA, em relatório enviado hoje a clientes.

Considerando também as duas parcelas do pagamento feitas em 2006 e 2010, a Alphaville foi avaliada em R$ 1,8 bilhão, quase o dobro dos R$ 919 milhões que a Gafisa vale hoje em bolsa.

Segundo Flávio Conde, analista da Banif Corretora, o mercado esperava que a Gafisa pudesse pagar esse valor em dinheiro ou emitir novas dívidas, o que seria prejudicial, considerando a elevada alavancagem da companhia. Ele reforça o aspecto positivo da operação, pois traz para a Gafisa um ativo "valioso", com uma boa precificação.

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A Alphaville tem sido vital para a Gafisa, nos últimos trimestres, por apresentar as melhores margens e retornos do que operações voltadas para a baixa renda. A aquisição foi fechada em 2006, quando a Gafisa levou 60% da companhia.

Em 2010, a incorporadora adquiriu outra fatia, de 20% e, por contrato, tem que finalizar, agora, a compra dos 20% restantes.

Divergência

A queda de braço entre Alphapar e Gafisa pelo número de ações a serem emitidas parece não ter abalado o otimismo dos investidores com a operação. Em fato relevante divulgado na manhã de hoje, a incorporadora informou que a Alphapar pretende receber um número maior de ações como forma de pagamento.

A ex-controladora da Alphaville quer 90,3 milhões de ações, o que equivaleria a uma fatia de 18,3% da Gafisa. Pela proposta inicial da incorporadora, a Alphapar ficaria com 14% do capital.

Em ambos os casos, a Alphapar se tornaria a maior acionista individual da Gafisa, que tem capital disperso em bolsa. No comunicado enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), a Gafisa informou que considera o entendimento da Alphapar "legal e contratualmente equivocado" e afirmou que "insistirá, pelos meios necessários, na aplicação correta do critério contratado".

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