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A indústria de transferência de dinheiro, alimentada pelos imigrantes nos EUA, escapou das consequências da crise ao arrecadar bilhões de dólares em receitas provenientes de taxas

Patricia Gonzalez, que trabalha em uma fábrica de embalagens em Chicago, junta cerca de US$ 70 por mês para enviar para sua mãe em Guadalajara, México. Em Boardman, Oregon, Raul Esparza, um imigrante trabalhador rural, trabalha o máximo de horas possíveis para poder mandar US$ 50 por semana para seus filhos que vivem na Cidade do México.

Ambos sentem o peso de ter que pagar uma taxa de US$ 10 para enviar dinheiro para o exterior e ainda lidam com a conversão de dólares para pesos.

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Mas estas taxas têm alimentado os lucros da Western Union, empresa de transferência monetária internacional, e feito dela um exemplo para a indústria de serviços financeiros.

Enquanto bilhões de dólares em receitas provenientes das taxas desapareceram nos maiores bancos dos Estados Unidos devido a regulamentos aprovados durante a crise financeira, a indústria de transferência de dinheiro escapou desta consequência.

Empresas de serviços financeiros nos EUA lucram com taxas para remeter recursos de imigrantes
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Empresas de serviços financeiros nos EUA lucram com taxas para remeter recursos de imigrantes


No entanto, em breve, estas empresas, que são regulamentadas pelos Estados, estarão sujeitas a novas regras federais.

A partir de fevereiro, elas terão de deixar mais claro aos clientes a relação das taxas de transferência e das taxas de câmbio.

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As regras, que fazem parte da lei de regulamentação financeira Dodd-Frank, também exigem que as empresas ofereçam aos clientes a possibilidade de ter um reembolso total até 30 minutos depois de uma transação.

Mas os defensores dos consumidores têm observado que as empresas de transferência de dinheiro enfrentam menos restrições pois as regras não atingem os preços dos serviços.

"Ainda existe uma situação em que os clientes são submetidos a estes produtos de uma maneira em que não existem regras exatas que policiem as taxas ou as taxas de câmbio", disse Oscar Chacon, diretor executivo da Aliança Nacional de Comunidades Latino-Americanas e do Caribe, em Chicago.

A Western Union, que domina o mercado de transferência de dinheiro, disse que atualmente já divulga a quantidade de dinheiro que está sendo enviado, a taxa de câmbio e o montante que o destinatário receberá. Ela também informa aos clientes que " além da taxa de transferência, a Western Union também ganha dinheiro com a conversão de dinheiro por outra moeda.”

As empresas de transferência de dinheiro não divulgam o quanto lucram quando definem as taxas de câmbio.

"Estas empresas conseguem grandes lucros desta maneira, às custas das pessoas que menos podem arcar com estas taxas", disse Matthew Piers, um advogado de Chicago, que moveu com sucesso um processo judicial contra a Western Union em nome de imigrantes mexicanos em 2000, acusando a empresa de informar erroneamente o lucro divulgado sobre suas taxas de câmbio.

A Western Union não admitiu ou tampouco negou qualquer injustiça, mas concordou em pagar mais de US$ 400 milhões para encerrar o processo judicial.

(Por Jessica Silver-Greenberg)


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