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Ação do Fundo Garantidor de Crédito sobre o banco carioca é parte vigilância do sistema financeiro, diz Alexandre Tombini; Banco Central nega propostas de compra

O presidente do Banco Central (BC), Alexandre Tombini, afirmou nesta terça-feira (5) que a entrada do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) no Cruzeiro do Sul é “parte do saneamento do sistema financeiro”, durante audiência pública na Comissão Mista de Planos, Orçamentos Públicos e Fiscalização da Câmara dos Deputados.

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“Quando surgem problemas identificados pelo BC, nós agimos dentro da lei”, disse. “Esses casos (de assumir bancos) fazem parte do saneamento do sistema financeiro, de aumentar a solidez do sistema. Não seria possível deixar instituições que não tem condições de continuar (operando)”, afirmou, após questionamento do deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ) sobre a diferença em relação à operação para salvar o Banco Panamericano em 2010.

O FGC irá administrar o Cruzeiro do Sul por 180 dias, conforme prevê o Regime Especial de Administração Temporária (Raet). Segundo Tombini, o BC tinha outras duas opções: liquidar o banco carioca (encerrar atividades) ou realizar uma intervenção (assumir o controle). “No caso do Cruzeiro do Sul, decidimos pelo Raet como o regime mais adequado para o caso”, disse. “Como em outros casos, a solução não se confunde com a irresponsabilização dos responsáveis. Essa vem sendo a tônica de todos os casos.”

O presidente do BC defendeu o papel do FGC para assumir o Cruzeiro do Sul, revidando a acusação de que o fundo estaria assumindo responsabilidade do Banco Central. “O fundo tem um papel de prevenção da insolvência e outros riscos associados. É capitalizado pelas instituições financeiras e atende todos os requisitos para ser o gestor do Raet. Esse regime foi o mais indicado e não afasta solução de mercado (venda do Cruzeiro do Sul)”, disse.

Segundo Tombini, os bancos pequenos e médios são saudáveis, respondem por cerca de 11% do lucro do setor financeiro nacional, com R$ 1,6 bilhão no primeiro trimestre. O presidente do Banco Central deixou nas entrelinhas de seu discurso para deputados e senadores que a autoridade responsável por monitorar o sistema poderá acionar novos bancos caso irregularidades sejam identificadas. “O BC continuará esse processo contínuo de aprimoramento dos processos (de saneamento)”, indicou.

Alexandre Tombini afirmou que o Banco Central não conhece nenhuma proposta de compra feita ao Cruzeiro do Sul, negando indiretamente o interesse do BTG Pactual. “Se houve (proposta), não chegou para o BC avaliar. Nosso papel é avaliar qual estrutura de controle resulta de uma aquisição, fusão. Para esse caso não chegou nenhuma proposta para o BC”, afirmou.

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