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Com piora da bolsa e perspectiva de agravamento da crise, analistas adotam postura mais conservadora; Vale, Petrobras, CCR e Cemig são os destaques

Se mês passado foi o pior maio para a Bovespa em 14 anos, muita volatilidade aguarda a bolsa brasileira em junho. Pelo menos é o que se depreende dos relatórios de analistas com as perspectivas para junho, marcado pelas eleições na Grécia, que podem definir a saída ou permanência do país da zona do euro. Os mercados mundiais devem reagir a essas incertezas, e, à espera de mais instabilidade, os especialistas recomendam manter uma postura conservadora e apostar em ações de empresas com fluxo de caixa previsível e expectativa de maior crescimento estrutural.

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Entre os papéis mais recomendados estão os de Vale, Petrobras, CCR e Cemig, que estão no portfólio de pelo menos quatro das dez corretoras consultadas pelo iG. A mineradora aparece à frente das demais empresas, com sete indicações. Petrobras, CCR e Cemig tiveram quatro recomendações cada uma. AmBev e Odontoprev também surgem bem posicionadas em termos de indicações, com três menções cada uma. Já AES Tietê, Anhanguera, Brasil Foods, Itaú Unibanco, Lojas Americanas, Multiplan, Natura, OGX e Pão de Açúcar tiveram duas citações cada uma.

O mês promete ser marcado pelo exterior, de acordo com relatório da Planner Corretora. “Nossa expectativa é de mais um mês influenciado pelas questões externas, considerando que as eleições na Grécia, com data para o dia 17 próximo, poderão não significar alento para os mercados, pois, mesmo que a chapa vencedora seja pela aceitação às medidas impostas pelos líderes europeus, qualquer decisão neste sentido levará algum tempo para implementação”, indica o estudo.

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Em maio, a Espanha também esteve no centro das preocupações de investidores, devido ao fato de o governo ter precisado socorrer o terceiro maior banco do país, o Bankia. “A grande preocupação do mercado é de que maneira o Governo espanhol irá lidar com as perdas do setor bancário e a necessidade de capitalização dos bancos”, aponta o relatório do HSBC.

Nos EUA, segundo a equipe do BTG Pactual, embora a recuperação econômica esteja se mostrando lenta, uma recessão não parece estar a caminho. Em relação à China, o pouso suave permanece como o cenário mais provável, embora uma piora na situação econômica na Europa possa afetar ainda mais as exportações chinesas.

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No cenário doméstico, a economia brasileira ainda está se ressentindo bastante do agravamento das perspectivas no exterior. O crescimento do PIB de 0,2% no primeiro trimestre desapontou muitos investidores. Para tentar aquecer o consumo, o governo lançou uma série de medidas de estímulo para o setor automobilístico. Por outro lado, o relaxamento da política monetária, com o corte de 0,5 ponto percentual da taxa básica Selic, veio em conformidade com a expectativa do mercado.

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Por causa de todas as turbulências, os analistas preferem adotar um viés conservador neste mês. “Continuamos acreditando que as empresas com caráter mais defensivo e boas pagadoras de dividendos são uma ótima alternativa de investimento em bolsa dado o cenário externo conturbado e que possuem boa tendência de alta nos gráficos de médio e longo prazo”, diz a Rico, home broker da Octo Investimentos. “Mantivemos nossa visão favorável às histórias defensivas, com maior previsibilidade de fluxo de caixa e com expectativa de maior crescimento estrutural”, indica a equipe do HSBC.

“Na possibilidade de um agravamento da crise, acreditamos que as ações mais cíclicas, ligadas a commodities, podem ter seu desempenho bastante prejudicado”, completa o banco em relatório.

Ações mais recomendadas

Vale - 7 indicações

Cemig - 4 indicações

CCR - 4 indicações

Petrobras - 4 indicações

Ambev - 3 indicações

Odontoprev - 3 indicações

AES Tietê - 2 indicações

Anhanguera - 2 indicações

Brasil Foods - 2 indicações

Itaú Unibanco - 2 indicações

Multiplan - 2 indicações

Natura - 2 indicações

OGX - 2 indicações

Pão de Açúcar - 2 indicações

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