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Banco Central decretou intervenção no banco após identificação de rombo de R$ 1,3 bilhão. Correntistas podem fazer resgates, depósitos e quitar débitos normalmente

Os clientes do banco Cruzeiro do Sul podem continuar a operar seus depósitos normalmente, mesmo após a intervenção do Banco Central (BC) na instituição . Segundo o próprio BC, os clientes podem fazer resgates, depósitos e pagamentos normalmente, inclusive aqueles que possuírem recursos que superam R$ 70 mil, que é o valor garantido pelo Fundo Garantidor de Crédito (FGC).

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"Tudo fica inalterado e funciona normalmente no banco. Evidentemente no primeiro dia o banco passa por mudanças operacionais, mas vamos resolver antes do final do expediente," diz Antonio Carlos Bueno, diretor do FGC. "Os CDBs serão pagos, os DPGEs (Depósitos a Prazo com Garantia Especial) serão pagos e quem tem depósitos vai poder sacar," acrescentou.

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Durante os próximos 180 dias, o banco será comandado pelo Regime de Administração Especial Temporária (Raet), os controladores – a família Índio da Costa - serão afastados e a gestão será feita pelo FGC. Segundo o BC, durante este período todas as contas da instituição serão verificadas. A autoridade vai checar os números e buscar entender e investigar os eventuais erros. Ao mesmo tempo em que é vistoriada, a instituição continua a funcionar normalmente, podendo realizar todas as operações de carteiras comercial, de investimentos e de câmbio.

Segundo Bueno, o banco posui cerca de R$ 2 bilhões em DPGEs e aproximadamente R$ 800 milhões em CDBs, sendo que deste total, apenas R$ 70 milhões têm liquidação diária e são passíveis de serem resgatados imediatamente. O Cruzeiro do Sul possui ainda R$ 2,8 bilhões em de passivos em bônus no exterior. "Mas a única obrigação do FGC é com os DPGEs e com os CDBS, o fundo não garante operações no exterior," afirma o diretor.

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Segundo o Banco Central, durante os 180 dias de Raet, o Cruzeiro do Sul não está impedido de negociar sua venda, ou de parte de seus negócios. Caso exista um interessado nos ativos do banco, o BC não impede a negociação, afirmou ao iG.

Nesta segunda-feira, a autoridade monetária decretou a intervenção no Cruzeiro do Sul. Inspeções feitas no banco identificaram um rombo de cerca de R$ 1,3 bilhão. A princípio, foram detectadas fraudes parecidas com as do Banco Panamericano, instituição que pertencia ao Grupo Silvio Santos, com registro de créditos fictícios no balanço. Durante coletiva de imprensa, os diretores do FGC disseram que o caso é diferente do Panamericano, uma vez que as insubsistências foram identificadas em carteiras antigas, restritas ao banco e não securitizadas.

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