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Instituição não voltará aos antigos controladores, segundo diretores do FGC, que afirmam que no Brasil há mais bancos interessados em comprar outros, do que em serem vendidos

O banco Cruzeiro do Sul, que sofreu intervenção do Banco Central e agora está sob a gestão do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), não voltará para o antigo controlador - a família Indio da Costa -, segundo os diretores do fundo.

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Segundo Antonio Carlos Bueno, diretor do FGC, o fundo trabalhará nos próximos meses para identificar os problemas do banco, incluindo o tamanho do rombo, e para prepará-lo para a sua venda.

"Não nos sentimos seguros em vender neste momento, então vamos trabalhar para saber qual o tamanho do problema, para poder negociar o banco," afirmou a jornalistas na sede do Cruzeiro do Sul, em São Paulo.

Segundo Celso Antunes, que será o administrador do banco durante os 180 dias de Regime Especial de Administração Temporária (Raet), "há muito mais bancos interessados em comprar outros do que bancos à venda no mercado brasileiro".

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Os diretores do fundo afirmaram que assim que as dúvidas forem sanadas e o tamanho do rombo for descoberto, o FGC ficará à vontade para negociar a venda do banco. A negociação pode acontecer a qualquer momento, segundo Antunes, e não precisa esperar pelos 180 dias de Raet.

"Em 60 dias, ou 90 dias no máximo, teremos o resultado definido e estaremos mais seguros para promover a venda," afirmou Bueno. 

A audioria Pricewaterhouse Coopers foi contatada pelo FGC para avaliar os números do banco, segundo o FGC. A princípio, a insubsistência encontrada pelo Banco Central foi de R$ 1,3 bilhão. "Mas o número pode ser maior do que isso," disse Bueno.

O BTG Pactual, que estaria negociando a compra do Cruzeiro do Sul, teria desistido da operação pelo fato de o tamanho do rombo não estar definido e coberto pelo FGC, acrescentou Bueno. "O comprador legitimamente procurou se defender," afirmou, sem citar o nome do BTG Pactual.

Sobre a natureza da "insubsistência" dos números do banco, como o BC definiu, o FGC não descartou uma fraude . "Há indícios de fraude, uma vez que não encontramos os ativos", Bueno. Segundo Celso Antunes, provavelmente o rombo está em uma carteira de crédito consignado antiga.

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Cruzeiro do Sul tem histórico de episódios negativos

Caso o Cruzeiro do Sul seja liquidado, o fundo informou que teria um desembolso de aproximadamente R$ 2,8 bilhões, sendo R$ 2 bilhões referentes a Depósitos a Prazo com Garantia Especial (DPGE) e R$ 800 milhões referentes a Certificados de Depósito Bancário (CDBs).

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