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Segundo o Fundo Garantidor de Crédito, o problema é uma insubsistência, ou seja, há ativos que estão contabilizados, mas sem referência. Rombo pode ser maior que R$ 1,3 bilhão

O Fundo Garantidor de Crédito (FGC), que foi comunicado na última quinta-feira pelo Cruzeiro do Sul sobre os problemas em seu balanço, informou nesta segunda-feira que ainda não se sabe o tamanho exato do rombo do banco e que há indícios de que tenha sido uma fraude.

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O Banco Central havia encontrado insubsistências nos números da instituição uma semana antes e questionou o banco. Sem conseguir explicar a situação, o Cruzeiro do Sul recorreu ao FGC, e o Banco Central determinou a intervenção na instituição.

Durante os próximos 180 dias, o FGC fará a gestão do banco, enquanto tenta descobrir o valor exato do rombo. A princípio, o número encontrado pelo BC foi R$ 1,3 bilhão.

"Ha indício de fraude, uma vez que não encontramos os ativos", afirmou o diretor do FGC, Antonio Carlos Bueno em coletiva de imprensa nesta segunda-feira.

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Segundo o executivo, o número pode ser ainda maior que R$ 1,3 bilhão, que podem ser decorrentes de uma fraude ou apenas um erro operacional na busca pelos ativos. O FGC explicou ainda que a palavra "insubsistência" usada pelo BC significa que há ativos contabilizados pelo banco, mas que não têm referência.

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Bueno disse ainda que a venda do banco, que vinha sendo discutida na última semana, não foi realizada por conta da insubsistência. O BTG Pactual, provável comprador, não teria concordado em adquirir a instituição sem saber o " tamanho do problema", e se o FGC garantiria o rombo. 

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Segundo o FGC, o banco vai continuar operando normalmente nos próximos 180 dias, durante os quais o fundo, juntamente com uma empresa de auditoria, tentará identificar em qual carteira de crédito está o rombo e qual seu tamanho.

Os diretores do fundo disseram que a insubsistência do Cruzeiro do Sul provavelmente aconteceu em uma carteira de crédito consignado que não foi securitizada. "Provavelmente é uma carteira que foi deixada lá, 'dormindo', no banco," afirmou Bueno.

O FGC explicou ainda que seus recursos disponíveis para resgates a bancos pequenos e médios brasileiros é de aproximadamente R$ 15 bilhões, de um patrimônio total de R$ 31 bilhões.

Para o Cruzeiro do Sul, o FGC poderia usar seus recursos para cobrir apenas DPGEs (Depósitos a Prazo com Garantia Especial) e CDBs, que, no caso do banco, somam cerca de R$ 2,8 bilhões. Deste total, entretanto, o fundo tem a exectativa de que seriam necessários R$ 2,2 bilhões para liquidar as operações do banco, considerando a parte dos CDBs com garantia.

Além disso, o banco tem R$ 2,8 bilhões de passivos de bônus no exterior, segundo os diretores do FGC, que não são garantidos pelo fundo.

O FGC também descarta um problema decorrente de uma eventual corrida ao banco, uma vez que os CDBs com liquidação diária, passíveis de serem resgatados, somam até R$ 70 bilhões.

Segundo o diretor do FGC, o fundo já aportou até hoje R$ 1,3 bilhão no Cruzeiro do Sul. No entanto, este valor que não está relacionado ao atual problema, e é parte de um FDIC de R$ 4,2 bilhões constituído pelo FGC em 2010 para eventuais problemas do banco. "Esse FDIC não tem relação com a insubsistência e não foi criado já por suspeitas de problemas. Era um fundo para prevenir eventuais problemas ou falta de liquidez do banco," afirmou Celso Antunes, diretor do FGC.

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