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Executivo diz ainda que outros setores da economia têm rentabilidade maior que a do bancário, mas que alguns vivem "chorando junto ao governo"

A metodologia usada pelo Banco Central para medir o spread bancário no Brasil está defasada e não reflete a realidade das instituições financeiras, afirma Alfredo Setubal, vice-presidente executivo do Itaú Unibanco. O empresário destacou ainda que há uma mistificação em torno da rentabilidade do setor bancário. "O (setor) automobilístico está sempre reclamando e chorando junto ao governo e tem uma das maiores rentabilidade no país", diz.

Setubal participou de palestra realizada no auditório Itaú e organizada pelo Centro de Estudos em Finanças da FGV (GVcef). No encontro, ele afirmou que a atual metodologia do BC não abrange os novos produtos criados nos últimos anos. "A metodologia só considera 53% dos ativos do sistema financeiro, e deixa de fora crédito imobiliário e rural, por exemplo. Essas distorções grandes é que levam a números elevados de spread", ressalta o empresário.

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Por causa dessas diferenças, explica o empresário, o BC aponta um spread médio de 35,8% para o setor bancário, enquanto a Federação Brasileira de Bancos (Febraban) trabalha com o número de 28,4%. "Mas os balanços dos bancos não refletem isso. Nosso spread está em torno de 13%, e não 28% ou 35%", ressalta. "Há uma mistificação de que o setor é o mais rentável do país. A rentabilidade do setor bancário é de 17,6%, enquanto a do farmacêutico é de 18,9%", conta.

Segundo Setubal, o cartão de crédito e o cheque especial - os dois produtos que são apontados como alguns dos grandes responsáveis pelos altos retornos obtidos pelos bancos - representam somente 5% dos créditos totais do sistema financeiro. Além disso, de acordo com o executivo, é preciso levar em consideração outros componentes que diluem a rentabilidade dos bancos, como os custos administrativos e a inadimplência. "Nossa margem de manobra não é tão grande assim."

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O empresário também negou ser contra a queda dos juros no setor bancário. "Há uma mistificação também de que os bancos são contra os juros baixos. Somos a favor dos juros menores. Nós ganhamos mais com isso, pois traz menos inadimplência e temos menos perdas de crédito", diz. No entanto, ele discorda da forma como as taxas estão caindo. "O governo está usando os bancos públicos para baixar os spreads, mas é um momento delicado para fazer esse tipo de atuação, por causa da crise econômica", ressalta.

"O governo está tentando repetir (a política de estimular o crescimento de) 2009, mas a sociedade está mais endividada. Não temos o Tesouro Nacional para nos bancar em caso de grandes perdas", destaca Setubal. O empresário diz que, caso a conjuntura econômica melhore, o Itaú pode "soltar as amarras" que adotou nas operações de crédito, principalmente no segmento pessoa física. "Mas, enquanto a perspectiva for incerta, vamos limitar nossa atuação", conclui.

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