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Com ganho de 5,8%, moeda dos EUA superou o retorno de fundos, títulos, poupança e ouro. Enquanto isso, o Ibovespa amargou um queda de 11,9%

Dólar termina maio valendo R$ 2,017
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Dólar termina maio valendo R$ 2,017

Com a piora da percepção de risco em todo o mundo, o dólar foi mais procurado em maio e foi a aplicação mais rentável do mês, ganhando de modalidades como fundos indexados à inflação, títulos públicos, poupança, ouro e bolsa de valores. Depois de ter atingido R$ 2,04 em 21 de maio, a moeda-americana fechou o mês cotada em R$ 2,017, alta de 5,76% em relação ao final de abril.

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No exterior, o que ajudou a elevar a procura por dólares foram as tensões com a Grécia, que se intensificaram e se somaram a novas preocupações com a Espanha. Além disso, permanecem dúvidas em relação às economias da China e dos EUA. Além dos motivos econômicos externos, os investidores estão mais desmotivados com o Brasil e, ao retirarem seus dólares do País, a moeda fica mais cara por aqui.

Ranking das aplicações em maio

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Fábio Colombo

"Além da crise na Europa, a economia chinesa vem mostrando uma desaceleração maior, e os Estados Unidos, que começaram o ano mais fortes, agora estão com indicadores mais fracos. No Brasil, tivemos uma safra de balanços ruins, a produção industrial fraca em abril e uma descrença do mercado com a tese do Banco Central de que as medidas que vem sendo tomadas serão suficientes para manter a inflação estável e a economia em crescimento," resume Luciana Pazos, chefe da divisão de gestão de fortunas da Mirae Asset Securities

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"O governo brasileiro tratando mal os investidores estrangeiros, com uma politica forte em empresas-chave, como Petrobras, Vale e os bancos. Isso afugenta o investidor estrangeiro,” acrescenta Leandro Ruschel, diretor da Escola de Investidores Leandro Stormer. Também pesa a favor da moeda norte-americana o aumento dos impostos sobre operações financeiras, completa. O administrador de investimentos Fábio Colombo comenta que o dólar se valorizou em relação a diversas moedas, não apenas ao real.

Os mesmos motivos que levam o dólar a subir derrubaram a bolsa no mês. “Em momentos de maior risco, a correlação inversa entre dólar e bolsa fica ainda mais nítida,” diz Luciana. Com todo o ambiente piorado, o Ibovespa foi a pior aplicação do mês, com uma queda de 11,9%. Segundo ela, o mercado doméstico tem visto investidores saindo da bolsa sem se preocupar com as perdas que possam realizar. “Muitas pessoas estão querendo sair sem olhar para preços,” diz.

Ouro e títulos

Já o ouro, que assim como o dólar tende a subir em momentos de incertezas, manteve-se praticamente estável em maio. "A cotação do ouro deveria ter aumentado, por conta da crise da Europa, mas como já estava alta, acabou não subindo muito," afirma Fábio Colombo.

As aplicações atreladas aos juros e à inflação, por sua vez, estão pagando cada vez menos, comenta Colombo. "Quando vemos o rendimento real para o investidor, tirando inflação, taxas e imposto de renda, o ganho está ficando muito próximo a zero, o que nunca aconteceu antes. As pessoas conservadoras vão ter que pensar em outras alternativas, pois aquele ganho que tinham antes, não estão tendo mais," afirma.

Uma opção, diz ele, é a bolsa. Neste caso, a a recomendação é que os investidores comprem gradativamente em momentos de baixa e vendam gradativamente na alta. "Se continuar caindo, o ideal é seguir comprando e fazendo um preço médio," sugere.

Perspectivas

A perspectiva para o próximo mês é que o dólar continue pressionado, na opinião de Ruschel, variado conforme as tensões no exterior. Para a bolsa, “devemos ver mais do mesmo,” diz Luciana, da Mirae.

O que poderia provocar uma melhora no mercado de ações, na opinião dela, seria uma definição na zona do euro, com a permanência dos conservadores na Grécia - e de acordo com as exigências de austeridade. Ao mesmo tempo, a China teria que adotar medidas de grande estímulo, para que aumentasse a demanda por commodities. “Mas não admitimos a esse cenário uma probabilidade alta,” diz.

No entanto, junho pode ser um pouco melhor que maio por conta dos preços dos ativos, que estão baixos. “Se os investidores começarem a ver oportunidades, pode não ser tão ruim,” afirma a analista.

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