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Ibovespa fechou a quinta-feira em alta de 1,29%, no entanto, acumulou uma queda de 11,9% no quinto mês do ano

Com ambiente econômico pior, Bovespa tem pior maio em 14 anos
Getty Images
Com ambiente econômico pior, Bovespa tem pior maio em 14 anos

A rodada ruim de indicadores sobre a economia dos Estados Unidos levou a Bovespa para o campo negativo duirante a maior parte do pregão. Porém, no meio da tarde, o índice voltou a campo positivo ajudado por expectativas de um resgate financeiro para a Espanha e pelo típico movimento de ajuste técnico de último dia do mês. Assim, o Ibovespa fechou em alta de 1,29% nesta quinta-feira, a 54.490 pontos.

Apesar da alta na sessão, o índice fechou o mês em queda de 11,9%, o pior desempenho para maio desde 1998, quando a baixa foi de 15,7%. O que contribuiu para essa performance foi a continuidade de um cenário externo ruim e uma piora no ambiente doméstico, comenta Luciana Pazos, chefe da divisão de gestão de fortunas da Mirae Asset Securities.

"Além da crise na Europa, a economia chinesa vem mostrando uma desaceleração maior, e os Estados Unidos, que começaram o ano mais fortes, agora estão com indicadores mais fracos. No Brasil, tivemos uma safra de balanços ruins, a produção industrial fraca em abril e uma descrença do mercado com a tese do Banco Central de que as medidas que vem sendo tomadas serão suficientes para manter a inflação estável e a economia em crescimento," afirma a analista.

No mercado cambial, o dólar fechou o dia estável, e avançou 5,8% no mês.

Nesta quinta-feira, houve uma melhora do humor dos investidores durante a tarde, reagindo à notícia de que o Fundo Monetário Internacional (FMI) estaria preparando um plano de resgate financeiro para a Espanha. O FMI negou a informação. De fato concreto apenas o encontro que a diretora-gerente do fundo, Christine Lagarde, terá com a vice-primeira-ministra da Espanha, Soraya Saenz de Santana, ainda hoje.

Por aqui, a movimentação é típica de último dia do mês, com gestores ajustando as carteiras, especialmente aqueles que seguem o índice de mercados emergentes Morgan Stanley Capital International (MSCI) Brazil, que terá modificações na carteira a partir desta sexta-feira.

"É natural vermos uma pressão compradora no final do mês, com os fundos tomando posições. Mas isso não quer dizer que o cenário melhorou. Uma alta técnica não é sinal de reversão", afirma Leandro Ruschel, diretor da Escola de Investidores Leandro Stormer. Segundo operadores, os estrangeiros voltaram às compras hoje, depois de venderem mais de R$ 2,7 bilhões em ações neste mês até o dia 29.

Na bolsa de Nova York, Dow Jones caía 0,21%, Nasdaq perdia 0,27% e S&P 500 subia 0,03%. Já os mercados europeus tiveram a maior perda mensal em nove meses .

Entre as ações mais negociadas da bolsa brasileira, no final do dia Petrobras PN ganhava 3,16%, Vale PNA recuava 0,14%, OGX ON caía 1,06% e Itaú PN ganhava 3,58%. A lista de maiores altas trazia Cyrela ON (7,56%) e Klabin PN (5,05%).

Enquanto as duas primeiras passam por correção após pesadas perdas em maio, a ação da Klabin reage à nova máquina de papel para sacos industriais, que ampliará sua capacidade em 80 mil toneladas por ano, com investimento de R$ 220 milhões. A nova máquina deve entrar em operação no quarto trimestre de 2013.

Entre as maiores baixas da sessão estavam Usiminas ON (-11,83%) e JBS ON (-5,28%). Operadores afirmam que as ações da Usiminas sofrem pesadas vendas de estrangeiros, preocupados com a situação da siderúrgica, que tenta cortar custos depois de apresentar prejuízo no primeiro trimestre. Além disso, a companhia enfrenta ameaça de greve, uma vez que seus funcionários reivindicam reajuste salarial. O papel ON sofre também com sua exclusão da carteira do MSCI Brazil.

Destaque ainda para Cosan ON, que ganhava 1,96% no final do pregão A empresa anunciou seu balanço do ano fiscal de 2012. A divulgação de resultados da companhia segue calendário diferente do mercado, em função do ciclo da safra de cana-de-açúcar. O lucro chegou a R$ 2,6 bilhões no ano, mais que o triplo do ano anterior. A receita líquida cresceu 33%, para R$ 24 bilhões.

Fora do Ibovespa, as atenções estão no Banco Cruzeiro do Sul. As ações PN do banco desabavam 19,50% no final dos negócios, para R$ 9,70. Conforme reportagem do Valor, começou a ser arquitetada nos últimos dias uma operação de compra do banco pelo BTG Pactual. Autoridades em Brasília estão preocupadas com a evolução recente da liquidez e do capital do banco da família Indio da Costa. O BTG disse que "analisa constantemente as oportunidades no mercado, incluindo oportunidades de investimento e de prestação de serviços de assessoria a terceiros." As ações ON do BTG sobem 2,92%, para R$ 27,15. 

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(Por Olívia Alonso e Danielle Brant, com AE e Valor Online)

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