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Criado em 2011, a partir da fusão de 7 bancos regionais, o Bankia é o 4º maior da Espanha e foi nacionalizado neste mês, após precisar do maior resgate da história bancária do país

Pouco mais de um ano depois de começar a operar, Bankia foi nacionalizado em 9 de maio
AP Photo/Paul White
Pouco mais de um ano depois de começar a operar, Bankia foi nacionalizado em 9 de maio
Com menos de dois anos de história, o banco espanhol Bankia entrou em evidência no cenário financeiro global neste ano, por ter pedido o maior resgate bancário da história do país. Na última sexta-feira, 25 de maio, solicitou uma ajuda de 19 bilhões de euros ao Estado, depois de já ter recebido outros 4,465 bilhões de euros em troca de emissão de ações preferenciais. No total, o resgate soma 23,465 bilhões de euros, o equivalente a R$ 58,5 bilhões.

Diante da situação, o governo espanhol, comandado pelo conservador Mariano Rajoy, nacionalizou o Banco Financiero e de Ahorros (BFA), controlador do Bankia, em 9 de maio.

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Em 2010, o BFA já havia recebido outros 4,5 bilhões de euros do fundo espanhol de reestruturação bancária (Frob). Foi justamente após esta entrada de capital que o BFA criou o Bankia, em 2 de março de 2011, para representar as operações bancárias do grupo, que havia sido formado em 3 de dezembro de 2010 com a fusão de sete bancos regionais espanhois, chamados "cajas". 

A fusão aconteceu em dezembro de 2010 e as participações de cada participante no BFA ficaram distribuídas da seguitne forma: Caja Madrid: 52,06%, Bancaja: 37,70%, La Caja de Canarias: 2,45%, Caja de Ávila: 2,33, Caixa Laietana: 2,11%, Caja Segovia: 2,01% e  Caja Rioja: 1,34%.

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Em abril do ano passado, o BFA transmitiu ao Bankia todo o negócio bancário, as operações financeiras e outros ativos e passivos que o BFA tem recebeu dos sete bancos. O BFA manteve a propriedade de alguns ativos e passivos, algumas participações societárias.

Atualmente, o Bankia é o quarto maior da Espanha, com mais de 12 milhões de clientes, incluindo pessoas físicas, grandes corporações e instituições públicas e privadas. O banco também atua na gestão de ativos e no setor de seguros. Seus ativos somam 340 bilhões de euros e seus depósitos correspondem por 10% do total do sistema bancário espanhol.

As atividades do Bankia são concentrada na Espanha, mas o banco também tem unidades em Portugal, Alemanha, Áustria, China, Estados Unidos, França, Irlanda, Itália, México, Polônia e Reino Unido.

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Listado na bolsa espanhola desde julho de 2011, o Bankia viu suas ações terminarem o ano passado praticamente estáveis, em torno de R$ 3,50. Neste ano, entretanto, os papéis do banco caíram cerca de 60% e estavam sendo negociadas a R$ 1,360 no pregão desta segunda-feira. O BFA é o maior acionista do Bankia, com  52,4% de seu capital em 31 de dezembro de 2011.

No ano passado, o Bankia registrou um prejuízo de 2,9 bilhões de euros, o que pesou nos resultados do BFA. O grupo informou recentemente que amargou um prejuízo de 7 bilhões de euros em 2011, principalmente em função das perdas do Bankia, e, portanto, não teve o lucro de 41 milhões de euros que havia anunciado previamente.

Agora, o governo espanhol estuda uma forma de salvar o Bankia sem que precise ir ao mercado de títulos para conseguir os bilhões de euros que precisa. No último domingo, um porta voz do governo espanhol disse que a lei permite que a Espanha injete no banco não apenas dinheiro,  mas também certificados do Tesouro ou do Frob. Quando o governo injetar os fundos no Bankia no prazo de três meses, ele irá decidir qual mecanismo irá usar, segundo o mesmo porta-voz.

Uma opção levantada pelo jornal espanhol El Pais foi a troca de ações da subsidiária do banco, o Banco Financiero y de Ahorros SA (que não tem capital aberto), por novos certificados de dívida do Tesouro ou do FROB.

O Bankia poderia usar esta dívida como colateral com o Banco Central Europeu, permitindo que ele consiga a liquidez que precisa. O plano permitiria que a Espanha evite o pagamento que altos custos que os investidores estão pedindo para comprar a dívida soberana espanhola. A rentabilidade do título espanhol de 10 anos subiu para um nível acima de 6% desde o início de maio, quando especulações de que o Bankia iria precisar de resgate começaram a aparecer.

(Colaborou Ilton Caldeira, iG São Paulo) 

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Com Agência Estado