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SÃO PAULO - A conjuntura externa negativa e o resultado preocupante da Petrobras deram o tom para os mercados brasileiros na quarta-feira. A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) desabou mais de 7%, o dólar marcou o terceiro dia seguido de alta e os juros futuros voltaram a apontar para cima.

Em Wall Street, as perdas também foram acentuadas. Os investidores que já estavam pessimistas com relação ao futuro do consumo nos EUA receberam outra indicação negativa. Essa, vinda do secretário do Tesouro dos EUA, Henry Paulson, que mudou o foco do plano de US$ 700 bilhões do setor financeiro para o consumo.

O secretário indicou que o dinheiro não será utilizado para comprar ativos podres que estão na carteira dos bancos. Tal sinalização contraria a expectativa do mercado, que desde novembro esperava que o plano ajudasse a sanear os balanços das instituições financeiras. Segundo o secretário, será mantida a política de compra de ações das instituições financeiras como forma de melhorar os balanços.

Paulson também apontou a nova meta para o programa: dar suporte ao crédito ao consumidor em áreas como cartões de crédito e financiamento de veículos.

A mudança de foco não agradou, resultando em perda de 4,73% no Dow Jones, que fechou aos 8.282 pontos. Já a bolsa eletrônica Nasdaq, cedeu 5,17%, encerrando aos 1.499 pontos. Pela primeira vez desde maio 2003 o índice terminou abaixo dos 1.500 pontos.

Por aqui, além dessa influência externa, o Ibovespa refletiu a baixa nos ativos da Petrobras. As ações da estatal caíram mais de 12% com os investidores reagindo negativamente ao balanço trimestral da petrolífera.

Apesar de reportar lucro recorde de R$ 10,8 bilhões para o trimestre, os custos subiram e as margens recuaram, o que trouxe dúvidas sobre a capacidade da estatal em gerar lucro em um momento de petróleo declinante. Ontem, o WTI fechou na faixa dos US$ 56 o barril. Citando tais preocupações, os analistas do Credit Suisse cortaram a recomendação para as ações da estatal de " outperform " para " neutro " .

Com apenas 2 dos 66 papéis com variação positiva, o Ibovespa perdeu 7,75% na sessão, fechando aos 34.373 pontos. Destaque para o giro financeiro, que ganhou corpo e passou de R$ 5 bilhões.

No câmbio, a cena externa negativa aliada à percepção de que as remessas continuam superando as entradas estimularam mais um dia de valorização.

As intervenções do Banco Central (BC) - venda à vista e dois leilões de swap - não impediram a alta da moeda estrangeira que chegou a bater R$ 2,309 na máxima antes de fechar a R$ 2,288 na compra e R$ 2,290 na venda, valorização de 2,92%. Na semana, o dólar já acumula ganho de 6%.

Os juros futuros seguem sem clara tendência definida, ganhando um pouco de prêmio conforme o dólar avança ante o real. Os agentes seguem sem saber como apostar, pois ainda não é possível saber qual será o efeito da crise externa sobre a atividade econômica e, conseqüentemente, sobre a dinâmica de preços.

Ao final do pregão na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM & F), o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento para janeiro de 2010 apontava alta de 0,13 ponto percentual, para 15,22%. Janeiro 2011 subiu 0,13 ponto, para 15,93%, e janeiro 2012 apontava 16,08%, sem alteração.

Na ponta curta dos contratos, dezembro de 2008 marcava 13,50%, queda de 0,06 ponto percentual. Já o DI para janeiro de 2009 aumentou 0,02 ponto, negociado a 13,70%.

Até as 16h15, antes do ajuste final de posições, foram negociados 370.950 contratos, equivalentes a R$ 30,68 bilhões (US$ 13,24 bilhões). O vencimento de janeiro de 2010 foi o mais negociado, com 192.760 contratos, equivalente a R$ 16,43 bilhões (US$ 7,46 bilhões).

(Eduardo Campos | Valor Online)

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