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SÃO PAULO - Impulsionada pelos bancos, construtoras e aéreas, a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) garantiu o terceiro pregão consecutivo de alta, retomando o patamar de 62 mil pontos. Depois de um começo de pregão instável, o Ibovespa fechou o dia com alta de 1,71%, aos 62.056 pontos. O giro financeiro, de R$ 6,75 bilhões, foi o maior desde 16 de junho, para dias sem vencimento de índice ou opções.

Segundo o professor da FGV Online, André Comunale, o mercado brasileiro repercutiu o dia excelente nos Estados Unidos, onde o petróleo em baixa e a recuperação no setor financeiro tiraram um pouco do pessimismo que tomava conta dos negócios. Em Wall Street, o Dow Jones fechou o dia com valorização de 2,52%, enquanto o Nasdaq ganhou 3,12%.

Tanto lá fora quanto por aqui, o setor financeiro foi o destaque. Na avaliação do professor, a queda das ações de bancos brasileiros foi algo injustificado pelo simples fato de que as operações que levara à perdas bilionárias em Wall Street não existem aqui.

Com o quarto maior volume negociado dentro do Ibovespa, Itaú PN subiu 9,24%, para R$ 33,20. Bradesco PN veio logo atrás, com valorização de 6,90%, para R$ 33,29. Unibanco unit ganhou 7,67%, para R$ 20,35. Com menor ímpeto, Banco do Brasil ON ganhou 3,93%, para R$ 25,36.

Segundo o economista, não é possível conceber o Ibovespa abaixo dos 63.500 pontos. Não porque eu seu grafista, mas porque esse era o nível antes do grau de investimento, afirma.

De acordo com Comunale, a alta depois da obtenção do selo, quando o índice ganhou cerca de 10 mil pontos em cerca de um mês, pode até ter sido euforia, mas antes disso, a valorização do Ibovespa refletia um mercado com crescimento sustentado, apoiado em empresas e resultados.

Para o especialista, aos poucos os agentes estão começando a se conscientizar que não dá para perder dinheiro no mundo todo, que em algum lugar tem oportunidades de ganho. E o Brasil se apresenta como um bom lugar para se ganhar dinheiro hoje, diz.

Comunale destaca que a economia brasileira é uma das menos atingidas pela alta mundial da inflação e pelo processo de desaceleração da economia norte-americana. Fora isso, o mercado de capitais por aqui é mais maduro do que em outros emergentes. Os fundamentos devem prevalecer e os nossos são melhores do que os da concorrência, avalia.

A valorização do Ibovespa só não foi maior porque as ações da Petrobras e Vale do Rio Doce seguiram perdendo valor. O papel da Vale, segundo o economista, foi pressionado para baixo, pois hoje sai a precificação da oferta de ações que a companhia está realizando e é natural que os compradores queiram pagar menos. A ação PNA caiu 2,0%, para R$ 42,60, e o ON cedeu 1,42%, para R$ 49,20. Baixa também para o papel PN da Petrobras, que fechou valendo R$ 39,77, queda de 1,92%.

Com o petróleo caindo forte pelo segundo dia consecutivo, as ações das aéreas foram bastante beneficiadas. Vale lembrar que cerca de 40% dos custos do setor são com combustível. O papel PN da Gol teve a maior alta do Ibovespa ganhando 10,03%, para R$ 14,80. TAM PN subiu 8,93%, para R$ 31,22. Ainda no setor de avião, Embraer ON subiu 10%, para R$ 11,99.

As construtoras Gafisa ON e Cyrela ON ganharam mais de 9% cada, para R$ 22,48 e R$ 26,45. Bom desempenho também para Brasil Telecom Participações PN, com alta de 7,39%, para R$ 24,70. A operadora registrou lucro de R$ 254 milhões, soma 75% maior do que a obtida em igual período do ano passado.

Fora do índice, destaque para o BDR da Agrenco, que voltou a ser negociado hoje depois de quatro dias de suspensão. O papel da trading agrícola teve alta de 19,28%, para R$ 1,67. Forte valorização também para o papel ON da incorporadora PDG Realty, que fechou a R$ 23,00, depois de subir 11,65%.

(Eduardo Campos | Valor Online)

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