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SÃO PAULO - Em um dia de forte instabilidade, as compras prevaleceram e a moeda norte-americana registrou mais um pregão de alta ante o real. Depois de cair a R$ 1,995 na mínima, o dólar comercial encerrou a sexta-feira com valorização de 1,13%, valendo R$ 2,044 na compra e R$ 2,046 na venda.

Na semana, a moeda ganhou 10,53% ante o real.

Na roda de "pronto" da Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM & F) a moeda apresentou valorização de 0,39%, para R$ 2,038. O volume financeiro somou US$ 815 milhões, montante mais de duas vezes maior que o registrado ontem, evidenciando a grande instabilidade do dia. O giro interbancário ficou em US$ 2,7 bilhões.

Pela manhã, divisa chegou a disparar 2,7% em um movimento puramente especulativo, segundo operadores. Mas até o começo da tarde, a divisa perdia valor ante o real, acompanhando a confiança dos agentes na aprovação do plano de resgate do setor financeiro norte-americano.

No entanto, o cenário reverteu completamente depois que os congressistas disseram "sim" ao pacote que prevê US$ 700 bilhões para sanear os bancos. As bolsas passaram a cair e o dólar voltou a ganhar força.

Segundo o analista de câmbio da Liquidez Corretora, Francisco Carvalho, a aprovação do resgate financeiro era algo bastante esperado. O fato aconteceu, mas não resolveu o maior problema do mercado, que é falta de referência de preço.

Carvalho aponta que os agentes estão perdidos, pois não há equilíbrio de preço em nenhum mercado. Não se sabe o preço do dólar, da Libor e das ações em bolsas, por isso dessas reações pouco convencionais, como a observada hoje.

Para o analista, no caso do dólar, o que ajudaria o mercado a achar o "preço justo" da moeda seria uma maior atuação do Banco Central.

"O BC tem que começar a atuar para inibir esse grau de volatilidade. Da maneira que está ela traz o especulador para o mercado, o que realimenta a própria instabilidade", afirma o especialista.

Carvalho lembra que quando o dólar estava em trajetória de baixa, o BC atuou diariamente contendo a velocidade de depreciação. Agora, com o dólar disparando cerca de 20% em um mês a autoridade monetária se mantém ausente do mercado.

O analista destaca, também, que nos dois casos, tanto na baixa quanto na alta, os preços foram forçados para patamares artificiais por movimentos especulativos.

(Eduardo Campos | Valor Online)

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