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SÃO PAULO - A moeda norte-americana registrou mais uma semana de valorização ante o real, subindo 1,92%. Em agosto, a alta acumulada já está em 4,92%. O motivo para a valorização continua o mesmo: o fortalecimento do dólar ante outras moedas do mundo em função da piora nas perspectivas econômicas para Europa e Ásia e a conseqüente baixa no preço das commodities.

Operando em alta desde o começo dos negócios, o dólar comercial fechou a sexta-feira valendo R$ 1,638 na compra e R$ 1,640 na venda, valorização de 0,86% ante a véspera. Desde a mínima de R$ 1,559 registrada em primeiro de agosto, o dólar já ganhou 5,19%.

Na roda de pronto da Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM & F) a moeda apresentou valorização de 0,71%, para R$ 1,6385. O volume financeiro somou US$ 367,75 milhões.

Segundo a NGO Corretora de Câmbio, o mercado passa por uma artificialização do preço da moeda norte-americana, provocada por movimento especulativo instalado no mercado de dólar futuro e cupom cambial, onde os investidores estrangeiros passaram a apostar contra o real.

No entanto, segundo a corretora, tal movimento carece de fundamento, pois o país não apresenta risco imediato de deterioração nas contas externas, que seguem ancoradas por um suficiente saldo de reservas e um bom fluxo de investimento estrangeiro produtivo.

Na avaliação da corretora, essa aposta contra o real é bastante oportuna para os bancos, que atuam na ponta oposta, vendendo para os estrangeiros no mercado futuro. O racional por trás dessa operação é a expectativa dos bancos de que a taxa não deva se afastar muito do R$ 1,60. Portanto eles esperam ganhar a diferença quando os não residentes começarem a desmanchar as posições compradas.

Mesmo com as maiores saídas físicas, via remessas de lucros e dividendos, a NGO acha que ainda é prematuro pensar em acentuada piora do déficit em transações correntes. Para a corretora, a tendência de queda da inflação viabilizando, em tese, um menor aperto monetário, será um atrativo ao aumento de investimentos no país.

Dentro do atual cenário, a NGO também acredita que seria oportuno se o Banco Central interrompesse os leilões de compra que faz diariamente no mercado à vista, pois tais atuações acabam ratificando a tendência de alta, além de ir contra a política monetária que busca conter as pressões inflacionárias na economia.

(Eduardo Campos | Valor Online)

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