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SÃO PAULO - Commodities, essa foi a palavra que dominou as mesas de negociação na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) na segunda-feira. Junto com ela, outro termo de mercado foi utilizado para explicar as vendas acentuadas nos principais componentes do índice: stop loss - venda pré-programada quando o ativo atinge um determinado preço.

Ao final do dia, o Ibovespa somou 55.609 pontos, queda de 3,51%, o menor patamar em seis meses. O giro financeiro foi de R$ 4,68 bilhões. Em três dias, o índice perdeu nada menos que 7,31%, ou mais de 4.300 pontos.

Com cerca de 50% de sua composição relacionada às commodities, não tem como o Ibovespa escapar da visão pessimista para o crescimento da China e outras nações emergentes, que derruba o preço das matérias-primas para os menores patamares em meses.

Queda seguida de queda, preços atrativos, mas sem compradores e estrangeiro com presença constante na venda começam a minar o bom humor e as perspectiva de melhora de alguns agentes. Mandamos o investidor comprar há duas semana porque estava barato, e o mercado cai mais 10% depois. Não tem mais o que falar para o pessoal, exclama um membro de uma grande corretora.

No câmbio, a segunda-feira foi de recuperação, mas o ímpeto comprador não foi forte durante todo o pregão. Depois de bater R$ 1,571 na máxima, a moeda fechou a R$ 1,562 na venda, ainda assim alta de 0,19%.

O assunto do dia foi a entrada de US$ 2 bilhões de um fundo estrangeiro para a compra de juros. Normalmente, uma entrada desse tamanho derrubaria a taxa, mas a atuação do Banco Central (BC) aliada à cautela dos investidores ante à reunião do Federal Reserve (Fed), banco central norte-americano, que acontece hoje, segurou o preço do dólar.

Na roda de pronto da Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM & F) a moeda apresentou valorização de 0,21%, para R$ 1,5624. O volume financeiro somou US$ 532,25 milhões. O giro interbancário foi seguiu elevado, mais de US$ 3,4 bilhões.

Nos juros futuros, uma correção técnica de última hora mudou a direção das curvas, que passaram a apontar para cima. Os dia era positivo para os vencimentos futuros depois que as projeções de inflação para 2008 tiveram leve queda, e a expectativa para o IPCA em 2009 ficou estável por mais uma semana.

Além disso, a baixa no preço das matérias-primas também ajuda a reduzir o risco inflacionário futuro, algo que vai de encontro ao discurso e atuação do BC, que está apertando a política monetária com vista à inflação de 4,5% já em 2009. O preço disso já é sabido, menor crescimento do PIB no ano que vem.

Na BM & F, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento para janeiro de 2010 fechou com alta de 0,01 ponto, a 14,78% ao ano, depois de cair a 14,69% na mínima do dia. O vencimento janeiro 2011 ganhou 0,03 ponto, para 14,38%, e janeiro 2012 avançou 0,04 ponto, para 13,99%.

Entre os contratos curtos, destaque para o vencimento de outubro de 2008, o mais negociado, que fechou a 13,08%, sem alteração. Setembro de 2008 subiu 0,04 ponto, para 12,88%, e janeiro de 2009 teve valorização de 0,03 ponto, para 13,74%.

Até as 16h15, antes do ajuste final de posições, foram negociados 803.520 contratos, equivalentes a R$ 70,60 bilhões (US$ 45,28 bilhões), montante mais de duas vezes maior que o movimentado na sexta-feira da semana passada. O vencimento de outubro de 2008 foi o mais negociado, com 299.635 contratos, equivalentes a R$ 29,36 bilhões (US$ 18,83 bilhões).

Em Wall Street, a semana também começou com perdas, mas as vendas foram limitadas pela queda no preço do WTI, que ronda US$ 120 o barril. Depois de operar em alta por parte da tarde, o índice Dow Jones fechou com perda de 0,37%. O Nasdaq cedeu 1,10%. A má notícia da segunda-feira foi que alta do consumo não foi real, ou seja, os norte-americanos não consumiram mais, estão apenas pagando mais caro pelos produtos.

(Eduardo Campos | Valor Online)

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