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SÃO PAULO - A quarta-feira foi um dia bastante positivo para os mercados brasileiros. A Bovespa subiu forte e encostou nos 60 mil pontos. O dólar seguiu operando nas mínimas em mais de nove anos e os juros futuros longos apontaram para baixo, reagindo à redução na inflação no atacado.

O tom do pregão foi garantindo por dois fatores - dados favoráveis sobre a economia norte-americana e recuperação no preço das commodities.

Pela manhã, a ADP, empresa que processa folhas de pagamento, apontou que o setor privado norte-americano criou 9 mil vagas em julho, contrariando a previsão de fechamento de 60 mil postos.

As informações foram consideradas um sinal de retomada do mercado de trabalho, que, pelos dados oficiais, não criou nenhum novo posto em 2008.

Tal indicação segurou os investidores nos Estados Unidos na ponta compradora mesmo depois de o petróleo passar a subir forte seguindo a divulgação dos estoques de petróleo e derivados. Ao final do dia, o Dow Jones aumentou 1,63%. O Nasdaq subiu 0,44%.

A alta do petróleo acabou impulsionando os ganhos por aqui, pois incentivou a compra das ações da Petrobras. Além do carro-chefe estatal, as ações da Vale e das siderúrgicas também brilharam na sessão de ontem.

O Ibovespa fechou na máxima do dia, aos 59.997 pontos, alta de 3,37%. O giro financeiro foi elevado, superando os R$ 6,45 bilhões. Os ganhos de terça e quarta-feira reduziram as perdas do mês para 7,72%. Na segunda, a perda mensal era de 12,53%.

O dia positivo lá fora e a retomada acentuada das compras de ações aqui dentro estimulou a oferta de dólares, puxando a moeda para nova mínima de fechando desde 19 de janeiro de 1999.

A divisa encerrou o dia valendo R$ 1,560 na compra e R$ 1,562 na venda, baixa de 0,42%. A queda acumulada no mês é de 2,2% e, em 2008, já chega a 12,1%.

Na roda de pronto da Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM & F) a moeda apresentou queda de 0,44%, para R$ 1,5616. O volume financeiro somou US$ 347,75.

Passado dois dias de alta, os juros futuros caíram na BM & F depois que o Índice Geral de Preços do Mercado (IGP-M) ficou abaixo da mediana para o mês de julho, com todos os componentes apresentando menor ritmo de alta.

Segundo a Fundação Getúlio Vargas (FGV), a inflação no atacado subiu 1,76% neste mês, recuando de 1,98% observado em junho. A previsão oscilava próximo de 1,8%.

A expectativa quanto à ata do Comitê de Política Monetária (Copom) se fez sentir, segurando a tomada de posições nos vencimentos mais curtos.

Ao final da quarta-feira, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento para janeiro de 2010 teve baixa de 0,06 ponto, a 14,84% ao ano. O vencimento janeiro 2011 caiu 0,10 ponto, a 14,55%, e janeiro 2012 recuou 0,14 ponto, para 14,14%.

Entre os contratos curtos, agosto de 2008 diminuiu 0,01 ponto, a 12,80%. Setembro de 2008 também teve declínio de 0,01 ponto, para 12,85%. Outubro de 2008 subiu 0,01 ponto, para 13,07%, e o vencimento de janeiro de 2009, o mais negociado, fechou estável a 13,70%.

Até as 16h15, antes do ajuste final de posições, foram negociados 796.265 contratos, equivalentes a R$ 68,84 bilhões (US$ 43,76 bilhões), quase duas vezes mais do que o observado um dia antes. O vencimento de janeiro de 2009 foi o mais negociado, com 331.285 contratos, equivalentes a R$ 31,21 bilhões (US$ 19,91 bilhões).

(Eduardo Campos | Valor Online)

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