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SÃO PAULO - A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) teve o pior pregão dos últimos nove anos nesta segunda-feira. A não-aprovação do plano de resgate ao setor financeiro dos Estados Unidos trouxe pânico ao mercado, levando o índice a cair mais de 10% no começo da tarde ativando, assim, o circuit breaker - mecanismo que pára a negociação em oscilações brutas.

No final do dia as vendas diminuíram um pouco, mas ainda assim o Ibovespa perdeu 9,36%, encerrando aos 46.028 pontos. O giro financeiro ficou em R$ 5,76 bilhões.

A queda diária foi a maior desde 14 de janeiro de 1999, data da maxidesvalorização cambial, quando o índice fechou em baixa de 9,97%. O "circuit breaker" também não era ativado desde então. Na mínima do dia, o Ibovespa bateu os 43.766 pontos, ou queda de 13,81%.

Segundo o diretor de renda variável da FinaBank Corretora, Edson Marcellino, a rejeição do projeto trouxe pânico aos mercados norte-americanos fazendo também um belo estrago por aqui.

Em Wall Street, o Dow Jones desabou 6,98%, ou 777,68 pontos, maior perda já registrada na história, enquanto a bolsa eletrônica Nasdaq cedeu 9,14%. O S & P 500 perdeu 8,79%.

"Por mais que se compare com a crise de 1929 (quando a bolsa de Nova York quebrou) a situação atual não tem precedente. Por isso esse pânico todo", resume o especialista.

Marcellino acredita que deve ser apresentado um novo plano, com modificações em comparação com o atual - que previa US$ 700 bilhões para sanear os bancos. Essa reação exacerbada dos investidores hoje pode ser vista também como uma forma de pressionar os congressistas a tomar uma ação rápida.

Segundo o especialista, o que mais preocupa é a demora na adoção de medidas para restabelecer a confiança dos agentes no sistema financeiro. A contaminação é cada vez maior, com bancos caindo dia após dia nos Estados Unidos e casos de falências e nacionalização também na Europa.

O diretor também lembra que por ser uma crise financeira, seus reflexos chegam automaticamente ao setor produtivo. Marcellino lembra que a economia real depende do fluxo de poupança, e essa movimentação de dinheiro via empréstimos, crédito, ações e outros instrumentos não ocorre em momentos como o atual.

A venda indiscriminada atingiu todos os 66 papéis que compõem o Ibovespa. Com mais de R$ 1 bilhão em giro, Petrobras PN perdeu 7,56%, para R$ 32,75. Vale PNA viu seu valor cair 12,14%, para R$ 30,30, e CSN ON recuou 13,65%, para R$ 37,99.

Liderando as perdas, o papel ON da Rossi Residencial desabou 21,06%, para R$ 5,21, e BM & FBovespa ON caiu 20,21%, para R$ 7,26. Outros 21 papéis perderam entre 14% e 10% cada, entre eles Sabesp ON, Gerdau PN, Cesp PNB e Banco do Brasil ON.

Fora do índice, o papel PN do Banco Panamericano perdeu 30,88%, negociado a R$ 3,20. Ainda entre os bancos médios, Pine PN e Cruzeiro do Sul PN recuaram mais de 15% cada.

Baixa acentuada também para o ativo ON da OGX Petróleo, que fechou o dia valendo 20,25% menos, ou R$ 315,00. O ativo ON da mineradora MMX recuou 22,24%, para R$ 9,72.

(Eduardo Campos | Valor Online)

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