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Patricia Souza. Tóquio, 20 nov (EFE).- As bolsas da Ásia acusaram hoje o golpe da queda de Wall Street e chegaram ao nível mais baixo em cinco anos, com baixas que lembraram as do mês de outubro, próximas a 7% nos casos da Bolsa de Tóquio e de Seul.

O índice Nikkei da Bolsa de Tóquio caiu 6,89%, para 7.703,04 pontos, pela primeira vez em três semanas abaixo dos 8.000 pontos, enquanto o índice Kospi da Bolsa de Seul ficava abaixo dos 1.000 pontos, também pela primeira vez desde outubro, após perder 6,70%.

Em outras bolsas da região, as quedas foram generalizadas, mas não tão fortes, como os 4,04% de baixa do índice Hang Seng da Bolsa de Hong Kong, para 12.298,56, e a queda de 3,10% do índice Straits Times da Bolsa de Cingapura.

As grandes empresas da Ásia, muito dependentes de suas vendas no exterior, sofreram novas perdas, como as eletrônicas Sony e Nintendo, cujas ações caíram mais de 6%, e os fabricantes de veículos Toyota (-3%), Honda (-7%) e Hyundai (-11,5%).

O medo da recessão se instalou nos pregões asiáticos. Hoje, há o especial temor de que um desastre na indústria automotiva dos Estados Unidos gere uma maior depressão econômica, diante da crise da General Motors, da Ford e da Chrysler.

Os investidores da Ásia assistem todos os dias ao aparecimento constante de más notícias, também dentro de suas fronteiras.

O Governo japonês informou hoje que a balança comercial teve déficit em outubro, em vez do habitual superávit, devido à maior queda nas exportações registrada desde dezembro de 2007, por causa da revalorização do iene e da crise econômica.

As exportações, até então principal motor da economia japonesa, caíram 7,7% no mês passado, principalmente nas vendas à Ásia - que sempre ficara em positivo -, à Europa e aos EUA.

Além disso, há os anúncios de cortes de funcionários, que começam a ser uma realidade na Ásia, região que até pouco atrás parecia menos vulnerável à crise econômica global.

Hoje, veio a notícia de que fabricantes japoneses, como a Isuzu e a Mazda, planejam eliminar cerca de 2 mil postos de trabalho temporários ou de meio período em várias unidades, devido à queda da produção registrada, diante da queda das vendas no exterior.

As ações do fabricante de caminhões Isuzu caíram 17% hoje na Bolsa de Tóquio, enquanto as da Mazda perderam 10%.

Em Seul, o índice Kospi caiu pelo oitavo pregão consecutivo, algo que não ocorria desde março de 2003, enquanto a moeda local, o won, voltava a desvalorizar frente ao dólar, até chegar ao nível mais baixo desde o primeiro semestre de 1998.

O Kospi caiu 6,70% hoje, para 948,69 unidades, após um pregão de forte baixa.

Em Hong Kong, o índice Hang Seng, que já acumulou perda de 58% este ano, chegou a ficar abaixo da barreira dos 11.000 pontos, mas acabou fechando a 12.298,56.

As ações de empresas de energia e financeiras lideraram as quedas, assim como os títulos imobiliários, diante da redução da demanda por imóveis.

A Bolsa de Xangai também registrou quedas, mas menores, de 1,67%, para 1.983 pontos, graças às recentes medidas oficiais para estimular o crescimento econômico.

O índice da Bolsa de Xangai continua rondando os 2.000 pontos, após registrar entre 10 e 14 de novembro sua primeira semana de recuperação desde o início da crise financeira mundial. EFE psh/an

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