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A crise grega, que não é da Grécia, mas da Europa, e que também pode vir a ser do resto do mundo, é uma crise fiscal que corre o risco de se transformar numa nova crise bancária. A economia da Grécia é minúscula e, mesmo com seus escalafobéticos déficits e dívidas públicos, não teria o poder de contaminar sozinha o resto do mundo, não fosse a interligação global do sistema financeiro - e a sua desajuizada alavancagem atual.

A crise grega, que não é da Grécia, mas da Europa, e que também pode vir a ser do resto do mundo, é uma crise fiscal que corre o risco de se transformar numa nova crise bancária. A economia da Grécia é minúscula e, mesmo com seus escalafobéticos déficits e dívidas públicos, não teria o poder de contaminar sozinha o resto do mundo, não fosse a interligação global do sistema financeiro - e a sua desajuizada alavancagem atual. Mas, como os bancos gregos devem aos bancos portugueses, estes aos espanhóis e os espanhóis a instituições francesas e alemãs, holandesas, japonesas, britânicas, americanas - numa espiral de dívidas que chega perto de US$ 1,5 trilhão -, os riscos de uma nova reação em cadeia são consideráveis. É justamente a percepção de um possível efeito dominó que tem se alastrado, provocando momentos de pânico nos mercados financeiros ao redor do mundo. Também no Brasil já se observam mudanças nas posições de investidores estrangeiros. Eles estão revertendo apostas no real e no mercado de ações. O mercado financeiro costuma antecipar ocorrências na economia real. Não há, de fato, saída para um ajuste das economias europeias fora de um ciclo, provavelmente longo, de contração da atividade econômica. Para o resto do mundo - e para o Brasil também -, a perspectiva é a de um novo período de instabilidades. Talvez menos agudas do que na crise global de 2008, mas talvez mais duradouras. As preocupações, no Brasil, se concentram em dois aspectos interligados: as contas externas e o ingresso de recursos estrangeiros. O encolhimento das economias europeias tenderá a encolher as exportações brasileiras para a região, tornando mais complicado reverter os crescentes saldos comerciais negativos. Quanto ao dinheiro externo, ele tende a ficar mais arisco numa hora em que se torna mais necessário. <i>As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.</i>

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