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SÃO PAULO - A instabilidade continua dando o tom para as operações de hoje no mercado doméstico. O principal índice da Bolsa de Valores de São Paulo (Ibovespa) já mostrou variações de baixa e de alta, afastando-se um pouco do referencial de Nova York e orientado para preços de commodities, sobretudo petróleo e metais.

No segmento cambial, a moeda americana mostra recuo desde a abertura dos negócios, embora o Banco Central (BC) tenha se mantido distante do mercado pronto até o momento.

Há pouco, o Ibovespa registrava avanço de 2,62%, aos 37.397 pontos, com giro financeiro de cerca de R$ 1,5 bilhão. Entre a máxima e a mínima do dia, a bolsa paulista já foi de 35.834 pontos a 37.402 pontos. Em Wall Street a trajetória também é volátil. As bolsas já ficaram no vermelho por conta de dados ruins do setor imobiliário, mas mostravam melhora instantes atrás. Dow Jones subia 0,28% e Standard & Poor´s 500 avançava 0,77%.

O diretor de operações da Hera Investiment, Nicholas Barbarisi, acredita que os momentos de alta da bolsa local hoje estão sendo garantidos pela retomada dos preços de petróleo e de metais, que ajudam as ações da Petrobras e da Vale a se recuperarem e darem o o rumo do índice, onde têm forte peso. Os papéis ON e PN de ambas as companhias têm alta de mais de 4% no momento.

O Banco Central (BC) ainda não lançou mão de oferta de moeda no mercado hoje. A única operação agendada é o leilão de swap cambial, que ocorre das 12h45 às 13h. Instantes atrás, a divisa caía 1,84%, comprada a R$ 2,1210 para a compra e R$ 2,1230 para a venda, com mínima de R$ 2,1160 e máxima de R$ 2,1570.

Segundo Alexandre Horstmann, diretor de gestão da Meta Asset Management, a queda do dólar hoje reflete uma combinação das seguidas atuações do BC, bem sucedidas no sentido de controlar distorções, e da medida anunciada ontem, que dá à autoridade monetária liberdade de condicionar o uso do dinheiro comprado em leilões de reserva do BC pelos bancos a fornecimento de linhas de crédito.

"A medida não faz preço no curto prazo, mas junto com as atuações no mercado pronto e os leilões, vai ajudar o câmbio a voltar (a valorizar) um pouco", diz. Segundo ele, uma prova de que as intervenções da autoridade monetária têm surtido efeito é o fato de que mesmo com as perdas drásticas em bolsa nos últimos dias, a moeda continuou afastada da máxima de R$ 2,45 atingida no auge do agravamento da crise, na semana passada.

Seja como for, o consenso dos analistas e agentes é de que a única certeza de curto prazo, para todos os segmentos, é a volatilidade.

(Bianca Ribeiro | Valor Online)

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