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O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, disse ontem que há pouco espaço para mudança na atual política econômica. O campo para inflexão da política econômica está cada vez mais restrito porque a estabilidade passou a ser um valor incorporado à sociedade brasileira, disse Meirelles.

A declaração é um recado claro aos críticos da política econômica do governo, especialmente ao governador de São Paulo, José Serra, pré-candidato do PSDB à Presidência, que sempre ataca as taxas de juros, o câmbio e a política fiscal de Lula.

A afirmação de Meirelles foi feita na cerimônia de posse do novo diretor de Política Monetária, Aldo Luiz Mendes, que defendeu medidas para acelerar a queda dos juros ao consumidor. Segundo Mendes, é possível trabalhar com medidas para acelerar a queda nos spreads bancários - a diferença entre a taxa de juros paga pelos bancos para captar recursos e a que eles cobram do consumidor.

Em dois eventos realizados ontem, um em São Paulo e outro em Brasília, Meirelles rebateu as críticas de que o governo poderia aproveitar o momento para adotar mudanças mais rápidas na economia, como a redução acelerada dos juros. Meirelles, porém, argumentou que o espaço para alterações é reduzido, pois há o compromisso do Estado com a manutenção do equilíbrio financeiro, o crescimento econômico e o desenvolvimento social.

O discurso de Meirelles ressalta que uma política fiscal consistente, o controle da inflação e a melhora das contas externas permitiram reduzir o juro real. Nessas condições, a economia passou a crescer a taxas mais altas e regulares nos últimos anos, sendo possível adotar políticas sociais mais abrangentes. Ou seja, na visão de Meirelles, a estratégia permitiu conciliar crescimento e distribuição de renda.

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