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Volume de vendas caiu 0,2% em abril em relação a março; receita nominal do setor cresceu 0,4% na comparação com o mês anterior

As medidas macroprudenciais para moderar o crescimento econômico, a inflação em alta e uma acomodação depois de 11 meses seguidos de crescimento foram as principais razões para a queda de 0,2% do volume de vendas do comércio varejista em abril , segundo dados da Pesquisa Mensal de Comércio (PMC), divulgada hoje pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado foi a maior queda para o varejo desde os -0,7% de março de 2010.

"Temos duas possíveis interpretações para a queda. Uma é, como vinha de 11 meses consecutivos de taxas positivas, pode haver acomodação. A outra é que também pode haver reflexo das medidas macroprudenciais do governo em relação ao controle de inflação", disse o gerente da coordenação de serviços e comércio do IBGE, Reinaldo Pereira, ressaltando ainda o papel desempenhado pela alta dos preços. "Também temos fantasma da inflação", acrescentou.

A alta de preços fica visível no descolamento entre o volume de vendas e a receita nominal, que subiu 0,4% entre março e abril.

"O crescimento de alguns preços de alguns produtos também pode estar inibindo um pouco a demanda", afirmou Pereira, destacando que serão necessários mais meses para que se tenha a certeza de que a queda de abril é um ponto de inflexão ou apenas uma acomodação normal no volume de vendas.

Ainda na comparação entre março e abril, o comércio varejista ampliado foi sustentado pelo crescimento de 1,7% de Veículos e motos, partes e peças, o que puxou uma alta de 1,1% no varejo ampliado, uma vez que o volume de vendas de material de construção subiu apenas 0,2%.

O comportamento do comércio em relação a abril do ano passado foi influenciado pela Páscoa, que em 2010 caiu no começo de abril, deixando para o mês de março os resultados obtidos com as vendas. Este ano, como a data foi comemorada no fim do mês, as vendas se concentraram em abril. Com isso, o volume de vendas na comparação com igual período do ano passado subiu 10%, uma aceleração frente aos 4% verificados em março.

Como resultado do estímulo provocado pelas vendas relacionadas à Pascoa, o volume vendido por super e hipermercados subiu 10,4%, contra um avanço de apenas 1,4% em março, na relação com igual mês de 2010. A consequência desse comportamento foi que o grupo de hiper, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo respondeu por 51,4% da alta de 10% do varejo em abril.

"As vendas de Páscoa ficam concentradas nesse setor. Não foi à toa que os hipermercados voltaram a liderar a contribuição no índice", frisou Pereira, para quem o varejo vive um ano diferente em 2011. "O momento é diferente do que vivemos em 2010. Há as medidas macroprudenciais tomadas em dezembro de 2010 e, além disso, temos o fantasma da inflação. O governo vem tomando diversas medidas e isso vem influenciando na tendência de queda das curvas [de volume de vendas]", reiterou Pereira.

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