Tamanho do texto

O investimento [no PIB] terá um padrão de crescimento bem mais fraco do que no ano passado

O aumento trimestral de 1,2% na Formação Bruta de Capital Fixo, que mede os investimentos voltados à produção, não é sinal de uma expansão desse componente do PIB para todo o ano, sustenta Sérgio Vale, economista-chefe da MB Associados.

"O investimento [no PIB] terá um padrão de crescimento bem mais fraco do que no ano passado, pela própria expectativa da economia agora, com taxas de juros subindo e um cenário internacional bem mais volátil do que em 2010". Para Vale, os dados da indústria de maio divulgados na Pesquisa Industrial Mensal do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (PIM-IBGE) podem surpreender de novo.

"Ainda há muitos dados para serem divulgados, mas talvez o investimento [do próximo trimestre] venha mais fraco até do que a própria indústria", afirmou o economista. Quanto às expectativas do mercado sobre o investimento no primeiro trimestre, que chegaram a 3,5%, Vale acredita que é natural analistas projetarem números otimistas após a saída da crise e de um trimestre com mix ruim de crescimento, como foi o último de 2010. Nesse período, o consumo cresceu quase cinco vezes acima da Formação Bruta de Capital Fixo (2,3% ante 0,4% na comparação com o trimestre anterior).

"Um crescimento de 1,2% é bastante razoável, o atípico era [a projeção de] 3,5%. Elas (as projeções) foram consequência de uma saída da crise, então fazia sentido ver números muito intensos. O crescimento de 1,2% está adequado ao padrão que tínhamos antes de 2009". Vale discorda que as medidas macroprudenciais tenham surtido efeito inesperado sobre os investimentos no começo de 2011, hipótese considerada por outros economistas.

"As medidas repercutiram mais na parte de demanda e crédito, mas mesmo assim, com efeito marginal. Como último elo da cadeia, elas poderiam ter atingido o investimento, mas não foi o que aconteceu". O economista também vê com ressalva a explicação de que o crescimento de 1,3% do PIB no primeiro trimestre, e também dos investimentos, foi em grande parte motivado por acúmulo de estoques.

Segundo dados do próprio IBGE, sem a variação de estoques, o PIB teria crescido apenas 0,7% no período. "A questão de estoques ainda tem componentes estranhos no IBGE. Esse é um cálculo muito feito por estimativa. Nos Estados Unidos são calculados os estoques da indústria, aqui, ele é um resíduo final do PIB", explica.

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.