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O ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou hoje que não acredita nas previsões pessimistas de queda do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro em 2009 por causa do impacto da crise financeira internacional. Mantega fez a declaração em entrevista na portaria do Ministério da Fazenda, quando comentou previsão da empresa de consultoria britânica Economist Intelligence Unit (EIU) de uma queda de 0,5% do PIB do Brasil para este ano.

O ministro afirmou que continua acreditando que o País terá crescimento em 2009. Ele evitou, porém, fazer previsões para o índice de crescimento da economia brasileira. "Vamos deixar o ano avançar um pouco, estamos no primeiro trimestre", disse.

Questionado se não teria mudado de posição, já que, em outras ocasiões, sempre se mostrou confiante ao apresentar a estimativa de crescimento de 4% do PIB para 2009, respondeu, rápido: "Eu tenho repetido várias vezes que crescimento de 4% não é mera previsão de economista, é uma meta a ser alcançada a partir de um trabalho do governo."

Mantega admitiu, no entanto, que um crescimento de 4% depende de outros condicionantes, como as medidas do governo dos Estados Unidos contra a crise. "Estamos esperando que os americanos consigam dar uma solução para a crise financeira, que até agora não teve uma solução, e o encaminhamento dos problemas que eles criaram."

O ministro da Fazenda avaliou que as previsões pessimistas para a economia brasileira refletem mais o cenário internacional, que indicam queda do PIB nos Estados Unidos e na Europa. Na avaliação de Mantega, a situação da economia brasileira é bem melhor do que a deles. Segundo ele, há setores no Brasil que sequer desaqueceram e outros que tiveram redução muito pequena.

Inadimplência e juros

Mantega afirmou que o aumento da taxa de inadimplência em janeiro, divulgada hoje pelo Banco Central, não significa nenhuma deterioração "importante" da economia brasileira. Na sua avaliação, é normal que, nos meses de janeiro e fevereiro, haja uma elevação da inadimplência por conta dos inúmeros vencimentos que ocorrem no período, como IPTU, IPVA e outros compromissos.

O ministro voltou a fazer pressão para que os bancos no Brasil reduzam as taxas de juros cobradas nos empréstimos a seus clientes e ofereçam mais crédito. "Os bancos estão emprestando de menos para o meu gosto", disse o ministro. Segundo ele, as instituições financeiras poderiam estar emprestando mais e reduzindo mais as taxas de juros do que "estão aí".

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