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Ministro sugeriu que o ajuste fiscal feito pela Europa não se resuma "a um ajuste clássico" como o FMI sugeria no passado

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse hoje, ao lado do diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Dominique Strauss-Kahn, que a crise enfrentada pelos países da Europa, embora localizada, traz consequências para o mundo. No entanto, segundo o ministro, o impacto no Brasil tem sido pequeno, com uma redução do fluxo de capital.

Mantega disse que é normal em momentos de crise que os investidores procurem aplicações mais tradicionais, como o dólar. "Isso reflete o pânico e a incerteza no curto prazo. Quando as medidas adotadas pela Europa forem concretizadas e começarem a surtir efeito, haverá um refluxo deste pânico que há hoje nos mercados", afirmou.

Ele defendeu que o ajuste fiscal feito pela Europa não se resuma "a um ajuste clássico" como o FMI sugeria no passado. Segundo ele, o ajuste fiscal deve preservar as condições de crescimento nos países europeus. Para Mantega, não se pode condenar esses países se eles não tiverem condições de crescer.

Mantega contou que o Brasil propôs um programa de retomada do crescimento para a Europa que una o ajuste fiscal e os cortes a condições que aumentem a produtividade e a competitividade dos países. "Não chego a propor um programa de aceleração do crescimento (PAC), mas é disso que eles precisam", disse o ministro. Para ele, só o crescimento econômico gera recursos para o pagamento da dívida pública.

Crescimento

O ministro fez ainda um balanço da situação da economia brasileira. Segundo ele, o primeiro trimestre de 2010 será marcado por um crescimento maior, influenciado pelas políticas anticíclicas adotadas para combater os efeitos da crise financeira no ano passado. Essas medidas ainda fizeram efeito no início do ano, mas Mantega afirmou que o segundo trimestre já trará uma redução no ritmo de avanço por causa da retirada dos estímulos.

Mantega previu que a taxa de expansão do primeiro trimestre será entre 2% e 2,5%, mas que haverá nos trimestres seguintes uma redução do ritmo. "Do ponto de vista do crescimento, caminhamos para um crescimento sustentável", disse. Ele lembrou que a previsão do governo para a alta do Produto Interno Bruto (PIB) em 2010 é de 5,5% a 6%.

O ministro também afirmou que a inflação já dá sinais de arrefecimento e que o preço dos alimentos, que foi uma das principais pressões no início do ano, já está desacelerando. Mantega destacou ainda a situação fiscal do Brasil que, segundo ele, é uma das melhores do mundo. E afirmou que o país voltará a reduzir neste ano a relação entre dívida pública e PIB, após um crescimento em 2009. "A dívida voltará a cair em 2010 e voltaremos a uma trajetória descendente da dívida líquida".

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