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Ação de mais grosso calibre ainda não foi adotada, porque ministro diz estar satisfeito com resultado de mudanças já implementadas

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, negou que o Brasil vá criar alíquotas de imposto de renda (IR) para os investimentos estrangeiros nos próximos dias. “O governo não está estudando recolocação de imposto sobre investimentos estrangeiros”, afirmou. Segundo ele, a medida, que poderia entrar em vigor apenas em 2011 por lei, poderia ter até um efeito reverso no curto prazo, antecipando fluxo para este ano de quem estaria fugindo do eventual novo imposto.

Mantega informou, porém, ter ainda um “arsenal de medidas” a serem adotadas para atuar na valorização excessiva do real, e que aquela de mais grosso calibre ainda não foi adotada e não será, se não for necessário. “Nós tomamos medidas mais duras ágoras e, se ela for acompanhada por outros países, é possível que haja novas necessidades.”

- Nosso maior objetivo é não prejudicar a produção brasileira. O Brasil tem um mercado interno forte e outros países podem estar cobiçando esse mercado. Se a nossa moeda estiver valorizada, perdemos essa preferência para o produtor local. Política cambial é proteger empregos para brasileiros.

O ministro da Fazenda comemorou a decisão final da reunião de ministros no G-20 no fim de semana. O grupo decidiu “avançar na direção a sistemas cambiais mais determinados pelo mercado, que reflitam os fundamentos econômicos dos países e evitem a desvalorização competitiva das moedas”. O documento final prevê que as economias desenvolvidas serão mais “vigilantes”.

Mantega não foi à reunião de ministros, mas assegurou que vai à rodada de reunião de presidentes do G-20 com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva nos dias 11 e 12 de novembro, na Coreia do Sul. Na próxima reunião, Mantega espera a definição de um compromisso mais firme dos países no combate do que chamou de “guerra cambial”, que é a flutuação manipulada das moedas dos países atualmente.

O ministro espera, agora, uma recuperação das moedas estrangeiras, com medidas similares às adotadas pelo Brasil – como o aumento do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) de investimentos estrangeiros nos últimos dias. Segundo ele, o secretário do Tesouro dos EUA, Tim Geithner, disse, em conversa com Mantega, que fará o possível para conter a desvalorização do dólar. China e outros países asiáticos também atuaram recentemente para conter a valorização de suas moedas. “É possível que haja reação da moeda americana e chinesa.”

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