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Segundo o ministro da Fazenda, o governo reserva a possibilidade de tomar novas medidas a qualquer momento

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Ministro da Fazenda, Guido Mantega
AP
Ministro da Fazenda, Guido Mantega
O ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse nesta sexta-feira que o governo olha com a devida atenção a valorização do real nos últimos dias e se reserva a possibilidade de, a qualquer momento, tomar medidas macroprudenciais. "Quando se fala em medidas macroprudenciais, estamos falando em medidas para aumento de capital dos bancos, que foram tomadas no ano passado. Mas medidas macroprudenciais também são usadas para moderar a entrada de capital externo", disse o ministro, reforçando que o governo segue atento à apreciação do real.

O ministro afirmou que o governo tem uma série de medidas que podem ser adotadas, mas não citou que medidas seriam essas. "Isso é sempre uma novidade. Nós temos que surpreender", afirmou.

Em relação às medidas para aumento de capital dos bancos, o ministro afirmou que não vê, no momento, necessidade de adotá-las. As declarações foram feitas em São Paulo, durante entrevista à imprensa em que o ministro comentou o desempenho da economia brasileira do primeiro trimestre a partir dos dados do PIB divulgados hoje pelo IBGE.

Mantega frisou que apesar do bom resultado primário nos primeiros quatro meses do ano, o governo não vai aumentar os seus gastos. Ele fez esta afirmação em resposta a uma pergunta se o governo pretendia aumentar o orçamento do Programa Minha Casa, Minha Vida. "O orçamento do Minha Casa, Minha Vida é confortável para 2011", declarou.

Arrecadação

Mantega disse que a revisão da projeção de expansão do PIB de 5% para 4,5% neste ano não vai afetar a arrecadação. Ele afirmou que a economia brasileira continua se formalizando e que boa parte da arrecadação do governo se deve a essa formalização do mercado de trabalho, assim como aos bons resultados dos governos e dos lucros das empresas.

Mantega destacou que o crescimento de 4,5% é excelente. "É que a gente se acostumou com crescimento de 5%, de 7,5% como foi no ano passado, e aí pensamos que 4,5% não é bom. Mas é um excelente resultado e leva a uma boa arrecadação", disse o ministro.

Ele comemorou a desaceleração da economia em reação às medidas adotadas pelo governo e afirmou que no segundo trimestre, o PIB anualizado deverá ficar abaixo de 4,5%. No segundo semestre, Mantega até acredita que poderá haver alguma aceleração, mas em linha para que o PIB feche o ano em 4,5%.

Inflação

O ministro da Fazenda disse que se houver pressão de inflação no segundo semestre, ela poderá vir dos preços das matérias-primas (commodities). Segundo ele, se for confirmada essa pressão, o governo estará vigilante e tomará medidas. No entanto, a seu ver, a tendência é de acomodação dos preços. Mantega fez essa afirmação quando foi perguntado se os reajustes salariais que ocorrem no segundo semestre não seriam uma fonte de pressão para a inflação.

O ministro se recusou a fazer uma previsão para a reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central que acontece na próxima semana. "Eu não tenho a menor ideia do que o BC poderá fazer, e nem quero saber. Na véspera do Copom, eu não me manifesto sobre essa questão", disse. Mantega apenas se limitou a dizer que o Copom não se pauta pelo câmbio e sim pela inflação. "Não temos uma meta cambial, mas sim uma meta inflacionária, apesar de uma interferir na outra".

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