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Ministro participa de encontro com senadores da Comissão de Assuntos Econômicos na manhã desta terça-feira

O Brasil poderá ter um período prolongado de alta da taxa de juros para fazer a inflação voltar ao centro da meta? Esse deverá ser um dos temas em debate com o ministro da Fazenda, Guido Mantega, em audiência pública na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) nesta terça-feira (3), a partir das 10h.

Desde setembro de 2010, a inflação sobe a cada mês, mas o governo mantém a meta anual em 4,5% diante da aposta do mercado em um índice anualizado de 6,3%. Se o mercado estiver certo, a inflação corre o risco de bater no teto da meta inflacionária, fixado em 6,5% pela Resolução 3.880/10, do Banco Central.

Do lado do governo, a aposta para segurar a inflação no centro da meta - 4,5% - se baseia no conjunto de medidas anti-inflacionárias adotadas no último quadrimestre, como a contenção do crédito.

Alta dos juros

Ciente de que há "defasagens no mecanismo de transmissão" desse esforço para a atividade econômica e os preços, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central adotou uma atitude de cautela. Da leitura da ata da última reunião do Copom, nos dias 19 e 20 de abril, surgem dois fatos: as "incertezas quanto ao grau de persistência das pressões inflacionárias recentes" e a necessidade de "uma reavaliação da estratégia de política monetária" em um cenário mais claro no futuro.

O fato levou o Copom a fixar em 12% a taxa básica de juros da economia, que antes estava em 11,75%. Foi a terceira alta consecutiva decidida pelo Copom: a chamada taxa Selic já havia sido ajustada para cima em janeiro e março deste ano.

A decisão não foi unânime: dois integrantes do Copom queriam um aumento maior, de 0,5 ponto percentual, o que elevaria a taxa para 12,25%. O argumento deles leva em conta a necessidade de "mitigar riscos" de que pressões inflacionárias recentes se transmitam para o futuro.

Mas o que prevaleceu foi o entendimento de que "um substancial esforço anti-inflacionário" já foi introduzido na economia no último quadrimestre. Seus defensores deixaram, porém, uma janela aberta, com a sugestão de uma reavaliação da estratégia de política monetária.

Campeão

Com a taxa básica em 12%, o Brasil se torna campeão isolado nos juros altos: a Turquia, que já havia ocupado o posto, fica em um distante segundo lugar. A política de juros altos é apontada por seus críticos como a causa de um efeito colateral perverso na economia: a entrada de dólares especulativos, provocando a valorização do real, com prejuízos às exportações.

A continuidade ou não dos ajustes deverá ser decidida em 7 e 8 de junho, quando o Copom voltará a se reunir. Como sempre faz, o comitê deve dedicar o primeiro dia da reunião a apresentações técnicas e o dia seguinte, a deliberações sobre a política monetária.

A principal é a definição da taxa Selic, mas às vezes o Copom faz alguma recomendação, como a dada na reunião dos dias 19 e 20 de abril: o comitê considerou "oportuna" a introdução de iniciativas no sentido de moderar concessões de subsídios por intermédio de operações de crédito.