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O ministro da Fazenda, Guido Mantega, alterou, ao menos temporariamente, a avaliação de que a sua pasta trabalha com a meta para crescimento em 2009 próxima de 3% a 3,5%. Hoje o Banco Central (BC) divulgou uma revisão em baixa de sua projeção do Produto Interno Bruto (PIB) para este ano, de uma alta de 3,2% para uma expansão de 1,2%.

Perguntado pela Agência Estado se a sua projeção para a expansão deste ano está próxima à do BC, o ministro foi categórico. "Fico satisfeito se registrarmos um crescimento positivo em 2009, seja de 1%, 2% ou 2,5%, de modo a permitir que caia o desemprego e que tenhamos as conquistas registradas nos últimos três anos", afirmou.

Mantega ressaltou que a crise financeira internacional provocou uma recessão muito forte no mundo a ponto de levar vários países desenvolvidos a apresentar contração do PIB neste ano, como é o caso do Reino Unido. Segundo o ministro, o país europeu deve exibir uma retração de 3% neste ano.

Mantega destacou que, em breve, quando o cenário econômico estiver mais claro, poderá fazer uma estimativa para o PIB deste ano. Ele afirmou que trabalhava com a meta de inflação do País próxima de 4% até pouco antes da divulgação do PIB do quarto trimestre, quando exibiu uma redução de 3,6% na comparação com o trimestre anterior. Como o País apresentou uma forte desaceleração no final de 2008, tal fato deve provocar efeitos negativos sobre o nível de atividade neste primeiro semestre. Contudo, o ministro ressaltou que há fatores externos que podem colaborar para que o Brasil apresente um desempenho mais vigoroso do que o esperado neste ano.

"Se, por exemplo, os Estados Unidos conseguirem administrar rapidamente o problema dos ativos tóxicos (das instituições financeiras), poderemos aliviar a crise e a escassez do crédito (global)", comentou. "Na reunião do G-20, conseguiremos tomar medidas para aumentar o financiamento do comércio internacional, dinamizar as exportações financeiras e caminhar para um nível de crescimento maior", completou. O Grupo dos 20, com grandes economias industrializadas e emergentes, se reúne em 2 de abril em Londres.

O primeiro ministro do Reino Unido disse, na última quinta-feira, em São Paulo, que a reunião do G-20 deve aprovar a liberação de US$ 100 bilhões para normalizar a concessão de financiamentos para empresas que trabalham com importações e exportações em todo mundo.

Mantega ressaltou que a economia do Brasil está se normalizando, como a atividade no setor automotivo, que deve apresentar desempenho um pouco superior no primeiro trimestre de 2009 ante o registrado no mesmo período do ano passado. "Outros setores produtivos estão se recuperando, como os de varejo e bens não-duráveis, que têm ficado em patamares satisfatórios. No segundo semestre, a economia voltará a acelerar e o País terá novamente um nível de crescimento normal", disse.

Juros

Mantega afirmou também que o bom comportamento da inflação deve levar o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) para uma marca inferior à meta de 4,5% determinada para este ano pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). "Estamos com um resultado inflacionário muito positivo, não há riscos", comentou. Como os índices de preços não apresentam níveis elevados, o ministro da Fazenda destacou que o Comitê de Política Monetária poderá manter a estratégia de redução de juros iniciada em janeiro.

"Pode ser que haja (neste ano) uma queda do preço da gasolina", comentou o ministro, referindo-se a outro fator que pode ajudar a reduzir a inflação. Logo depois dessa frase, seu microfone ficou mudo. "Isso deve ter sido provocado por alguém da Petrobras", brincou.

Sem entrar em detalhes sobre o que o governo poderia fazer para equalizar a remuneração da caderneta de poupança com outros investimentos, Mantega disse que a poupança, do jeito que está, eventualmente poderá causar algum obstáculo à gestão da política econômica. "Mas posso garantir que ninguém vai prejudicar a grande maioria dos poupadores", comentou.

Superávit primário

Mantega afirmou que o governo está trabalhando para buscar o melhor superávit primário possível este ano. "Porém, esse superávit não poderá sacrificar os investimentos que o governo vai fazer em outras ações dedicadas ao estímulo da economia brasileira", afirmou, em evento de anúncio de desoneração de impostos para importantes setores da economia.

O ministro ressaltou que na maioria dos países os governos estão aumentando gastos públicos para incentivar o nível de atividade, uma vez que suas respectivas economias estão enfrentando a maior recessão desde a Grande Depressão, como é o caso dos Estados Unidos e da Inglaterra. "Lutaremos para fazer o melhor desempenho fiscal possível, porém com essa condição: sem prejudicar as ações do governo que continuarão fortes na área de estímulo fiscal", completou.

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