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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse hoje, em seminário promovido pelas centrais sindicais italianas, que as pessoas não devem esperar muito da reunião do G-20 (grupo formado por grandes economias desenvolvidas e emergentes) em Washington, no próximo fim de semana. Não temos ainda um diagnóstico da crise e não espere muito dessa reunião do G-20 em Washington.

Ela é o começo, um começo promissor", disse.

Lula disse que ainda não é possível fazer conclusões sobre os efeitos da crise. "Essa crise ainda não nos permite conhecer todos os males que vem causar à humanidade", afirmou. "A cada dia aparece uma novidade. A cada dia aparece um buraco", completou.

O presidente disse que a situação do Brasil é "razoável" diante da crise financeira internacional. Ele garantiu que o governo brasileiro continuará investindo. "No Brasil nós temos obras de infra-estrutura, no valor de R$ 210 bilhões e não vamos parar nenhuma obra, pois achamos que é o momento do mercado interno."

Lula destacou que está fazendo todo esforço para que a crise não atinja os pobres, mas admite que essa é uma tarefa difícil, porque em um primeiro momento existe a "crise do medo", que faz o empresário não investir, o banco não emprestar e o trabalhador não comprar. "Quando nós chegarmos a essa realidade, começa a crise real", afirmou.

Por isso, o presidente fez um apelo para que outros governantes hajam rapidamente para a recuperação do sistema financeiro. "Precisamos de crédito para irrigar a economia", disse. Ele lembrou ainda da crise de alimentos, do aquecimento global e da falta de energia no mundo. Lula voltou a defender a retomada das negociações da Rodada Doha de comércio multilateral, da Organização Mundial do Comércio (OMC). Ele disse que a Rodada Doha, no atual momento, é uma das alternativas para a solução da crise.

Num auditório lotado, com capacidade para 1.200 pessoas, Lula disse que os sindicalistas de todo o mundo precisam se unir e apresentar soluções para a crise. O presidente avaliou que o mundo vive um momento dramático diante da crise financeira internacional. "A crise que chegou no setor financeiro já afeta a economia real atingindo trabalhadores, com o corte de salário e emprego."

EUA

Lula reafirmou o discurso que fez em Foz do Iguaçu (PR), de que o presidente eleito dos Estados Unidos, Barack Obama, precisa resolver a crise financeira no prazo de um ano, para evitar problemas políticos. "Acho que, inteligente como ele é, sabe que se a crise não for debelada logo, um ano depois ficará na responsabilidade dele", afirmou o presidente sob demorados aplausos da platéia de sindicalistas.

Ele voltou a criticar as agências de classificação de risco. "Até agora não vi nenhuma agência medir o risco dos Estados Unidos. É como se apenas os países pobres pudessem oferecer riscos a investidores internacionais", afirmou. Ainda no discurso, boa parte de improviso, Lula perguntou à platéia se o Brasil oferecia risco aos investidores italianos. "O único risco é de eles ganharem mais dinheiro que ganham na Itália."

O presidente participa, esta tarde, de almoço com o primeiro-ministro italiano, Silvio Berlusconi, e jogadores brasileiros de futebol que jogam no Milan, time de Berlusconi. Estão presentes ao almoço os jogadores Kaká, Dida, Ronaldinho Gaúcho, Pato e Emerson, além do ex-jogador e dirigente do Milan, Leonardo.

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