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Depois de se dizer indignado com as 4,2 mil demissões anunciadas pela Embraer na semana passada, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva se limitou ontem a ouvir as explicações dos dirigentes da empresa. Após mais de duas horas de reunião, no Palácio do Planalto, o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Miguel Jorge, informou que Lula continua inconformado, mas não pediu que (a empresa) recontratasse os funcionários porque entendeu que era uma questão de demanda pela produção de aviões da Embraer.

Miguel Jorge confirmou que o governo soube por meio da imprensa, em dezembro, que a empresa poderia fazer um corte de até 20% no total da mão de obra empregada. Ele contou que telefonou, na época, para dirigentes da Embraer, que negaram a informação. O ministro relatou ainda que Lula recebeu a notícia da decisão final da Embraer na quinta-feira, pela manhã. À tarde, após o anúncio da empresa, assessores do presidente informaram que Lula estava surpreso com a decisão.

Ontem, o presidente da Embraer, Frederico Curado, disse que não houve negociação prévia com o governo, que teria sido avisado nas vésperas das demissões. "Não é problema do governo, ou com o Brasil. O problema é do mercado internacional." Ele afirmou que a Embraer só voltará a contratar quando houver aumento das encomendas por aeronaves.

"O restabelecimento das contratações ocorrerá quando o mercado internacional melhorar. Não temos uma visão clara de quando isso vai acontecer." Para ele, a recuperação do nível de produção e das encomendas deve demorar dois a três anos.

Segundo Curado, Lula pediu que a Embraer dê um apoio adicional dos demitidos. A empresa já garantiu a manutenção do plano de saúde dos funcionários e seus familiares por um ano. "Ele (Lula) pediu que a empresa verifique o que é possível fazer para atenuar o problema das pessoas dispensadas", relatou Miguel Jorge.

De acordo com outro participante do encontro, Lula, ao ouvir dos dirigentes da Embraer que a empresa depende de uma melhora nas condições do mercado para fazer novas contratações, disse: "Vamos torcer para o mercado melhorar". Na quinta-feira da semana passada, Lula estava indignado com as demissões, segundo relato do presidente da CUT, Artur Henrique, após encontro com o presidente. O sindicalista contou que Lula afirmara ser inadmissível uma empresa beneficiada com recursos públicos demitir ao primeiro sinal de problemas. O relato de Artur Henrique não foi desmentido pelo Palácio do Planalto.

Participaram da reunião, além de Miguel Jorge, os ministros da Fazenda, Guido Mantega, e da Casa Civil, Dilma Rousseff, e o presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luciano Coutinho. Pela Embraer, além de Curado, o presidente do Conselho Administrativo, Maurício Botelho, o vice de Assuntos Corporativos, Horácio Forjaz, e o vice financeiro, Luiz Carlos Siqueira.

Curado garantiu que novas demissões não estão nos planos da empresa. "Já nos ajustamos", disse. A Embraer, segundo ele, teve cancelamentos ou adiamentos de 2009 para 2011 ou 2012 de 30% das encomendas de aviões, reduzindo as receitas previstas da empresa em US$ 1 bilhão. Curado disse que 93% das encomendas são do mercado externo e apenas 7% do mercado interno. "Esse foi o impacto, observado desde julho de 2008."

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