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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva desembarca no Paraguai hoje para a posse do presidente eleito, Fernando Lugo, com um discurso de apoio ao colega e promessas vagas de reconhecimento das assimetrias econômicas entre os dois países. As mudanças no contrato da Hidrelétrica de Itaipu, no entanto, não devem receber mais do que uma polida aceitação de que o Paraguai pode pedir - mas não levará.

Itaipu virou, no Paraguai, o maior exemplo do imperialismo brasileiro. Não apenas Lugo, mas seus concorrentes também defenderam, em campanha, a idéia de que o Brasil explora o Paraguai. O país recebe US$ 370 milhões por ano pela energia vendida ao Brasil, mas quer rever o tratado para receber US$ 2 bilhões ou ter direito de vender os excedentes de energia a outros países. Na semana passada, o assessor especial da presidência, Marco Aurélio Garcia, esteve em Assunção para conversar com o presidente eleito e seus assessores sobre as reivindicações paraguaias. Garcia, ouviu, conversou e anotou. Pouco além disso.

"O Brasil tem total disposição e abertura para o diálogo com o Paraguai. Mas uma coisa é a abertura para o diálogo e outra, bem diferente, é a aceitação de eventuais demandas", disse o porta-voz da presidência, Marcelo Baumbach. "Na questão específica de Itaipu, o Brasil já deixou claro, em várias oportunidades, que não pretende rever o tratado em seus aspectos essenciais."

O fato de uma reunião bilateral entre os dois presidentes, cogitada para o dia seguinte à posse, não estar prevista na agenda de Lula é outro sinal de que o Brasil não está mesmo disposto a ceder. Lugo será convidado para visitar o País até o final deste ano, mas o presidente brasileiro não deverá ficar no Paraguai nem mesmo para o almoço depois da posse. Com menos tempo, é menor o risco de ter de fazer promessas que não pretende cumprir.

Até agora, o máximo que o Brasil se dispôs a oferecer foi uma ajuda para a ampliação das linhas de transmissão que levam energia para Assunção, numa tentativa de reduzir os riscos de apagão na capital paraguaia.

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