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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse hoje que o Brasil receberá investimentos de R$ 1,4 trilhão até 2012 em projetos já contratados e compromissados. O Brasil vive o seu mais extraordinário momento, discursou o presidente, durante a cerimônia de corte do aço do primeiro navio a ser construído pelo estaleiro Atlântico Sul, em Ipojuca (PE).

Segundo Lula, esse montante foi calculado após uma reunião realizada semana passada com empresários no Palácio do Planalto, em Brasília. "Fizemos uma radiografia do que vai acontecer com o Brasil", disse.

O discurso de que o Brasil vive um novo momento foi a tônica da fala do presidente para uma platéia composta por trabalhadores do estaleiro, empresários, políticos locais, ministros e executivos da Petrobras. "O que estamos provando a este País é que nós não temos o direito de jogar nenhuma oportunidade fora e de não aproveitar o potencial extraordinário que o brasileiro tem", afirmou o presidente. "Começamos a pensar no Brasil", acrescentou.

O presidente admitiu que, para a Petrobras, a compra dos navios no mercado nacional não foi tão vantajosa do se que encomendasse no mercado internacional. "Se a Petrobras comprasse a plataforma na Noruega e na Coréia do Sul, poderia economizar US$ 100 milhões. A empresa está compreendendo que deixou de ganhar esse valor, mas está gerando emprego, renda e consumo. O que esses trabalhadores estão gastando no comércio e o que o estaleiro está comprando de matéria-prima valeu muito mais do que os US$ 100 milhões", afirmou.

Em diversos momentos do discurso, Lula citou as reservas de petróleo do pré-sal como uma esperança de riqueza futura para o Brasil e que se considera um presidente de sorte por tudo isso estar ocorrendo agora. "Deus estava viajando e parou por aqui. Por isso que digo que ainda faltam dois anos e quatro meses para terminar o meu mandato. Daqui até 2010, iremos colher os frutos do que foi plantado", disse.

Segundo o presidente, o Brasil colhe hoje os resultados da política executada desde 2003, quando teve que fazer um "sacrifício para ajustar o País", admitiu Lula. "Nunca o Brasil gerou essa quantidade de empregos. Certamente chegaremos a dois milhões de empregos com carteira assinada", disse. O presidente mencionou ainda que, nos próximos anos, o Brasil ganhará cinco novas siderúrgicas e a Petrobras construirá cinco novas refinarias, localizadas em Pernambuco, Rio Grande do Norte, Ceará, Maranhão e Rio de Janeiro (Comperj).

O presidente Lula lembrou que o setor siderúrgico no Brasil ficou 22 anos sem construir um novo alto-forno, embora produzindo, nesse período, a mesma quantidade de aço. "Este País estava atrofiado e proibido de crescer, porque passamos 20 anos discutindo inflação e dívida externa, e ninguém parava para discutir a concentração e o acúmulo de miseráveis nas periferias", afirmou, criticando a corrente econômica que predominou no Brasil nas décadas de 1980 e 1990. "Quando um jovem de 24 anos comete um delito, ele é menos criminoso do que os que foram responsáveis pela política econômica e desenvolvimento dos últimos 20 anos", disse Lula.

Lula voltou a defender que a estratégia de exploração das reservas de petróleo do pré-sal não se paute pela exportação do óleo cru. "Não vamos exportar óleo cru do pré-sal para gerar riqueza em outro país. Vamos exportar só produto refinado", disse Lula. De acordo com Lula, o Brasil não deve reproduzir o que faz hoje o México, que exporta óleo cru para os Estados Unidos e importa gasolina do mercado americano.

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