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Cubatão (SP), 10 mar (EFE).- O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou hoje que o Brasil não está interessado em uma guerra comercial com os Estados Unidos e pediu para que seu colega americano, Barack Obama, negocie com urgência um acordo que impeça as sanções comerciais anunciadas esta semana por Brasília.

"O Brasil não tem nenhum interesse em nenhuma confrontação com os Estados Unidos. Mas o Brasil tem interesse que os Estados Unidos respeitem as decisões da OMC (Organização Mundial do Comércio), tanto quanto o Brasil respeitará quando a OMC decidir contra nós", afirmou Lula no discurso que pronunciou durante a inauguração de uma usina termoelétrica na cidade de Cubatão (SP).

"Eu queria pedir ao companheiro Obama que colocasse as suas pessoas para negociar rapidamente", acrescentou o presidente, ao defender uma solução negociada para a divergência comercial.

"A OMC deu ganho de causa para o Brasil. Então, teoricamente, os EUA teriam que parar de dar subsídio aos produtores de algodão, mas eles não pararam. Então, a decisão da OMC, ela permite ao Brasil criar dificuldades para determinados produtos americanos aqui no Brasil", disse Lula.

"O que nós estamos fazendo não é uma política de retaliação. O que nós estamos fazendo é dizer aos EUA: não importa o tamanho de cada um de nós, não importa a riqueza de cada um de nós. Todos nós somos países soberanos e todos nós somos tratados em igualdade de condições, e nós queremos ser respeitados", acrescentou.

"Ou nós obedecemos as instituições multilaterais, ou o mundo vai ficar desgovernado", afirmou o presidente.

Lula disse que o Brasil luta há sete anos contra os subsídios americanos ao algodão e enfatizou que os mesmos castigam especialmente os "pobres dos países africanos".

Segundo o presidente, "está na hora de a gente dar chance para que um pequeno produtor africano coloque o seu produto" nos mercados dos EUA e da União Europeia (UE) para que o comércio seja mais justo.

Uma negociação urgente para impedir a entrada em vigor das represálias já tinha sido defendida ontem pelas autoridades dos dois países após a visita do secretário de Comércio americano, Gary Locke, a Brasília.

O Brasil recebeu autorização da OMC para impor sanções aos EUA após a recusa de Washington a eliminar os subsídios concedidos aos produtores e exportadores americanos de algodão.

Na segunda-feira, o Governo brasileiro anunciou uma lista de 102 produtos americanos que, a partir de 8 de abril, pagarão taxas mais elevadas para entrar no país. EFE cm/bba

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