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NOVA YORK - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva começou seu discurso, na manhã desta terça-feira, na abertura da 63ª Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas, comentando a crise financeira mundial e exortou os países a desenvolverem um sistema multilateral para controlar os mercados.

Acordo Ortográfico Em Nova York, Lula afirmou que é necessário desenvolver um mecanismo para que investimentos financeiros sejam regulados por normas transparentes e globais, contendo assim o que chamou de "anarquia especulativa". De acordo com o presidente, deve partir da ONU uma "resposta vigorosa" para as ameaças que rondam a economia mundial. 

Após uma breve introdução sobre a crise financeira, Lula citou brevemente todos os principais temas na atual agenda da política externa brasileira: combate à fome e crise alimentar; biocombustíveis;  Rodada Doha e liberalização comercial; degradação ambiental e democratização dos órgãos das Nações Unidas - ou seja: o "merecimento" brasileiro a um assento permanente no Conselho de Segurança da ONU.

'Muros fascistas'

Lula afirmou que, após a queda do muro de Berlim, "outros muros foram sendo construídos com enorme velocidade, sob argumentos nacionalistas ou mesmo fascistas", referindo-se às barreiras comerciais impostas por países desenvolvidos, como "escandalosos subsídios" e tarifas.

O presidente afirmou que o sistema multilateral precisa ser adaptado ao século XXI e citou iniciativas firmadas entre os países em desenvolvimento - IBAS, BRICs - como exemplos de articulações diplomáticas bem sucedidas, que vêm colaborando para dar ao mundo uma "nova geografia política, econômica e comercial".

Lula citou, ainda, a mediação brasileira na Bolívia e a missão de paz no Haiti para demonstrar o papel de liderança regional do país, visando ao assento permanente no Conselho de Segurança da ONU - que, segundo Lula, é uma "representação distorcida, congelada há seis décadas". Elogiou, assim, a recente decisão da Assembléia Geral de iniciar as negociações para a reforma.

Por fim, lembrou os 60 anos da Declaração dos Direitos Humanos, a serem completados em dezembro deste ano, e o centenário de Josué de Castro, estudioso brasileiro do flagelo da fome e primeiro diretor da FAO, agência das Nações Unidas para a fome e a miséria.

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