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No encerramento do 3º Fórum de CEOs Brasil-Estados Unidos, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que a crise financeira levou ao fim da era do domínio da economia virtual. Segundo ele, é preciso que os bancos centrais e governantes de todo o mundo imponham novas regras no sistema para evitar que crises geradas por especulação atinjam a economia real.

"Acabou. A era do domínio da economia virtual acabou", afirmou para uma platéia formada por executivos das principais multinacionais brasileiras e norte-americanas, pelos ministros Dilma Rousseff (Casa Civil) e Miguel Jorge (Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior), pelo secretário de Comércio dos EUA, Carlos Gutierrez, e pelo assistente do presidente George W. Bush e conselheiro-adjunto de segurança nacional para assuntos econômicos, Daniel Price.

"De repente, formos vitimados por um processo de especulação e, o mais grave, nem os governantes dos países e parece que nem os bancos centrais sabiam de tudo", declarou Lula.

Na seqüência, o presidente brasileiro ressaltou a importância da intervenção dos governantes para evitar que a crise provoque uma recessão mundial. "O que é importante é que os governos estão assumindo a responsabilidade para não permitir que a crise fique sem dono. O dono da crise pode ser o banqueiro, que fez o mau negócio, o que especulou, mas também quem permitiu que o banco alavancasse 35 vezes o seu capital, o seu patrimônio líquido", continuou. Ao fazer essa crítica, Lula destacou que as regras do sistema brasileiro são mais conservadoras, mas ainda assim permitem uma alavancagem de dez vezes. "Aqui no Brasil, com muito mais cuidado, não se pode alavancar mais de dez vezes, e ainda assim é muito", opinou.

O presidente destacou ainda que o Brasil também está adotando medidas para minimizar os impactos da crise na economia, mas que essas ações, da mesma forma como as aplicadas por outros países, levam tempo para surtirem efeito e não serão suficientes para evitar que crises semelhantes voltem a ocorrer. "Nós temos que ter claro o seguinte: os bancos centrais devem estabelecer novas regras e os países devem acatá-las. O banco que não cumpri-las deve ser punido antes de causar prejuízo", afirmou.

O presidente aproveitou para alfinetar os dirigentes no sistema financeiro. "Vamos ser francos: a atividade bancária já é extremamente rentável. Ninguém precisa trabalhar no submundo da especulação para ganhar mais", disse. "Por isso, o mundo precisa se juntar para dar um basta nisso", acrescentou.

Ao final de seu discurso, em sintonia com o que foi definido como prioridade pelos empresários do Fórum, Lula destacou a necessidade de que os países da Organização Mundial do Comércio (OMC) fechem de uma vez o acordo da Rodada Doha. O presidente disse que viajará para a Índia nos próximos dias com o objetivo de convencer o país a aceitar a proposta que está sendo negociada. "Na hora da crise, a melhor resposta é fechar o acordo de Doha", afirmou. "Nós não temos o direito de esperar", complementou, referindo-se à eleição para a presidência dos Estados Unidos.

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