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O presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, responsabilizou nesta segunda-feira os governos dos países em desenvolvimento pelo fracasso das negociações pela Rodada de Doha de liberalização do comércio da Organização Mundial do Comércio (OMC), em discurso a empresários em Buenos Aires.

"Vi como a Rodada de Doha é um sacrifício imenso, como é difícil tirar um centavo de um país rico", disse Lula, ao inaugurar ao lado da presidente argentina, Cristina Kirchner o seminário "Argentina-Brasil: Una aliança produtiva chave", com a presença de mais de 600 empresários de ambos os países.

Lula lamentou que os negociadores dos países industrializados na OMC "nem sequer chegaram a ficar perto de seus presidentes", enquanto nós presidentes de países emergentes "nos preocupamos em discutir com nossos ministros cada passo e cada decisão".

O presidente brasileiro afirmou que tentou convencer seus colegas de que a parte técnica da Rodada de Doha já acabou, que é hora de juntar os dirigentes políticos e tomar uma decisão política porque já não é uma questão econômica, mas o eminentemente política".

Nesse sentido, Lula disse ter-se comunicado quatro vezes com o presidente dos EUA, George W. Bush; duas vezes com o ex-presidente francês, Jacques Chirac, e duas vezes com seu sucessor, Nicolas Sarkozy, duas vezes com a chanceler alemã, Angela Merkel, outra com o ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair e com o atual primeiro-ministro Tony Brown.

Lula atribuiu também as dificuldades nas negociações da OMC a questões internas de cada país como as próximas eleições nos Estados Unidos e na Índia, que há uma semana protagonizaram o principal desencontro que levou ao fracasso as negociações da OMC em Genebra (Suíça).

"É difícil tomar decisões em anos eleitorais, sobretudo quando o assunto é agricultura, porque há muito interesses envolvidos ", advertiu.

O presidente brasileiro, que considera possível concluir em dois meses a Rodada de Doha, disse que ainda não desanimou e que continuará trabalhando duro.

Segundo Lula, se o acordo não for assinado, provavelmente Argentina e Brasil não sofrerão tanto, mas os países mais pobres, que têm de ser incentivados a produzir alimentos e precisam de um mercado nos países ricos, abertos a eles, terão grandes dificuldades.

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