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SÃO PAULO - O aperto de liquidez e novas regras contábeis foram as principais causas da queda de 24,2% dos resultados do Banco Cruzeiro do Sul no ano passado. Conforme informações divulgadas sexta-feira, o Cruzeiro do Sul teve lucro líquido de R$ 178,9 milhões em 2008 em comparação com R$ 236,1 milhões em 2007.

O retorno sobre o patrimônio de R$ 1,068 bilhão ao final do período ficou em 16,8% . O resultado recorrente foi de R$ 191,4 milhões, com retorno sobre o capital médio de R$ 17,3%. Somente no quarto trimestre, o lucro recorrente foi de R$ 17,3 milhões, afetado por receitas e despesas não recorrentes de R$ 16,2 milhões.

O Banco Cruzeiro do Sul, um dos líderes no crédito consignado, fechou o ano com R$ 5,3 bilhões em carteira, incluindo contratos cedidos a outras instituições financeiras. O crescimento foi de 20,2% em relação aos R$ 4,4 bilhões do ano anterior. Só as operações com cartão de crédito consignado atingiram R$ 223,4 milhões. O banco dobrou a carteira de cartões, atingindo a marca de 1,224 milhão de plásticos, dos quais 347 mil ativos.

O consignado representa 94,7% dos ativos de crédito. O desconto de recebíveis, carteira que encolheu de R$ 450 milhões para R$ 250 milhões, compõe o restante
A produção de consignado caiu com a crise, mas vem retomando o ritmo no primeiro trimestre com a queda dos juros. A produção de crédito do Cruzeiro do Sul foi de R$ 954 milhões no segundo trimestre de 2008, a maior de todos os tempos. Caiu para R$ 619 milhões no terceiro trimestre e para R$ 283,3 milhões no quarto. "Com a queda dos juros, a produção de crédito voltará a se aproximar do patamar recorde", afirmou o diretor-superintendente do Cruzeiro do Sul, Luis Octavio Indio da Costa. Só a liquidez não voltou ao patamar da época, nem voltará tão cedo, acredita ele.

Assim como outros bancos médios e de pequeno porte, o Cruzeiro do Sul foi afetado pelo enxugamento da liquidez e pela retração dos investidores institucionais. A saída foi fazer cessões de carteira. Especializado em crédito consignado, o banco não teve dificuldades em encontrar compradores para os contratos que gerou. "O consignado se mostrou um produto de boa liquidez. Fizemos cessões suficientes para cobrir toda carteira de CDB", lembrou.

Entre o terceiro e o quatro trimestre, o Cruzeiro do Sul fez cessões ao redor de R$ 1 bilhão. O principal comprador foi o Fundo Garantidor de Crédito (FGC), que abocanhou cerca de R$ 600 milhões. Mas o banco fez também acordo de cessão de R$ 900 milhões com a Nossa Caixa, que absorve mensalmente R$ 90 milhões. Atualmente, os acordos de cessão giram R$ 150 milhões por mês.

As cessões de carteira equacionaram a questão da liquidez. Mas trouxeram problemas contábeis pela mudança na forma de registro das receitas e das despesas, que passaram a ser diferidas ao longo do prazo das operações, e não mais são apropriadas na frente. Isso afetou diretamente o resultado, mas não alterou o fluxo de caixa.

O Cruzeiro do Sul também realizou corte de 20% do pessoal.

(Maria Christina Carvalho | Valor Econômico)

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