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O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) teve em 2009 um lucro de R$ 6,7 bilhões, 26,8% maior do que no ano anterior. O resultado contrariou até mesmo as previsões do presidente do banco, Luciano Coutinho, que, no fim do ano passado, havia projetado um resultado em torno de R$ 4 bilhões, menor do que o lucro de R$ 5,3 bilhões registrado em 2008.

Os números foram apresentados ontem por Coutinho.

A previsão de queda do lucro vinha da redução de spreads e alongamento de prazos da política anticíclica adotada pelo BNDES em 2009 para suprir a escassez de crédito provocada pela crise financeira mundial. No entanto, o aumento do volume das operações, afirmou Coutinho, acabou compensando a redução da remuneração do banco. O resultado bruto da intermediação financeira foi a maior influência no lucro apurado pelo BNDES em 2009: aumentou quase 50% em relação a 2008 e atingiu R$ 5,8 bilhões. A expansão dos financiamentos foi viabilizada pelo aporte de R$ 105 bilhões do Tesouro Nacional no banco. O resultado também foi favorecido pela reversão de provisões para processos judiciais da ordem de R$ 600 milhões.

No entanto, a crise financeira torpedeou os ganhos do banco na área de mercado de capitais. O resultado bruto com a alienação de investimentos no ano passado foi quase quatro vezes menor do que o de 2008: recuou de R$ 4,6 bilhões para R$ 1,2 bilhão. Segundo Coutinho, o cenário adverso da economia, principalmente no primeiro semestre, fez a empresa de participações do banco, a BNDESpar, reduzir a realização de lucros com a venda de papéis no mercado. Coutinho deu a entender que, com a melhoria do ambiente econômico, o banco aumentará a venda de suas participações em empresas este ano.

"Não foi um ano de ganhos no mercado de capitais pelo longo período desfavorável para vender. Embora os últimos meses do ano tenham apresentado melhora, não houve tempo para recuperação", disse Coutinho, lembrando que a solidez do funding reforçado pelo Tesouro permitiu ao banco esperar a melhoria dos mercados para vender seus papéis. "Mesmo assim, considerando as dificuldades da economia, foi um resultado excelente. E descortina um 2010 com boas perspectivas." Coutinho afirmou que, apesar da boa performance, o banco não tem compromisso com o aumento do lucro este ano. Ele já previu que os desembolsos em 2010 deverão cair cerca de 8% em relação a 2009, quando o banco emprestou R$ 137,3 bilhões. Em 2010, Coutinho quer o BNDES voltado para o financiamento do investimento, cuja proporção espera empurrar para perto de 19% do PIB no ano que vem, nível anterior ao da crise. O BNDES estima que a taxa atual é de cerca de 17%.

Entre as prioridades do BNDES para este ano, Coutinho listou projetos de infraestrutura. Segundo ele, o banco está preparado para financiar o vencedor do leilão de concessão para a construção da usina hidrelétrica de Belo Monte, no Pará. No entanto, ele não revelou qual será o porcentual financiado pelo banco, apenas afirmou que será o suficiente para viabilizar o leilão com competidores.

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